EUA evitam especular sobre queda do governo Maliki

Discussões sobre a sobrevivência ounão do governo iraquiano viraram tabu entre autoridades dosEUA, mas especialistas e diplomatas acham que a vacilantecoalizão dirigida por Nuri Al Maliki não vai durar. Quase metade dos ministros iraquianos se demitiu ou boicotaas sessões, apesar da pressão do governo Bush pelareconciliação das facções no país. Os principais responsáveis pelo Iraque no Departamento deEstado dos EUA rejeitaram pedidos para entrevistas sobre asolidez do governo iraquiano, mas vários funcionários deixaramclaro que Washington continua apoiando Maliki e que falar naqueda do gabinete não é útil. "O primeiro-ministro Maliki tem nosso pleno apoio. Dianteda urgência e seriedade das questões que ele e seus parceirosna liderança estão confrontando, os esforços para prejudicá-loou obstruí-lo são perigosos e não são bem-vindos", disse PhilipReeker, consultor da embaixada dos EUA em Bagdá. Diplomatas e especialistas dizem, porém, que Malikicontinua em apuros mesmo com o apoio dos EUA. "Com todas essasdefecções e boicotes das reuniões do gabinete, parece que asrodas estão caindo fora a carroça", disse um diplomata árabe. Bruce Riedel, ex-analista da CIA, disse que a queda deMaliki seria "um desastre" para a estratégia norte-americana deampliar a presença militar neste ano. Em setembro, com base numrelatório do general David Petraeus, comandante dos EUA noIraque, o governo Bush vai tentar convencer o Congresso dosucesso da estratégia. "Não importa quantos números o general Petraeus apresente,se o governo estiver caindo, o povo norte-americano verá que aestratégia fracassou pelo lado político", disse Riedel,atualmente na Brookings Institution. "Não surpreende que ogoverno não saiba o que dizer. É um pesadelo para eles." Embora a Casa Branca relute em criticar publicamenteMaliki, a desconfiança dos EUA ficou clara em novembro, nummemorando, vazado à imprensa, em que Stephen Hadley, assessorde segurança nacional, duvidava da capacidade do premiê, que éxiita, em conciliar sunitas, curdos e xiitas. "A realidade nas ruas de Bagdá sugere que Maliki éignorante do que está ocorrendo, representa mal suas intenções,ou que suas capacidades ainda não são suficientes paratransformar suas boas intenções em ações", escreveu Hadley naépoca. Uma importante fonte do governo Bush disse, sob anonimato,que nove meses depois a insatisfação com Maliki permanece, masque ainda não se fala em substituí-lo. "A questão é o quê [o novo governo] seria e quanto issolevaria", afirmou o funcionário, lembrando que o atual governoem torno de Maliki levou meses para ser montado.

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