EUA exigem que Rússia respeite cessar-fogo com a Geórgia

Secretária de Estado deve levar acordo de trégua a Tbilisi; Washington ameaça revisar relações com Moscou

Agências internacionais,

14 de agosto de 2008 | 12h05

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou nesta quinta-feira, que chegou a hora de encerrar a crise entre a Geórgia e a Rússia e pediu para que Moscou honre o compromisso de cessar-fogo. Rice se reuniu com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, responsável pelo acordo de trégua, no mesmo dia em que o chefe de governo russo, Dmitry Medvedev, reiterou apoio aos separatistas das duas províncias da ex-república soviética.  Veja também:Após anunciar retirada, Geórgia acusa Rússia de mandar mais tropasRússia promete apoio aos separatistas da GeórgiaOuça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia Rice levará o documento oficial de cessar-fogo ao presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, na próxima etapa da missão diplomática enviada pelo governo dos EUA para tentar encerrar o conflito. A secretária de Estado ressaltou os pedidos para que a integridade territorial georgiana seja respeitada, embora tropas russas permaneçam no país. Sarkozy, que também ocupa a Presidência rotativa da União Européia, anunciou que Rice será a portadora dos documentos que consolidarão a trégua e permitirão o começo da retirada russa. A Casa Branca informou nesta quinta que ignorará a alegação russa de que a integridade territorial da Geórgia não pode ser preservada e que as duas províncias separatistas pró-Moscou do país não farão mais parte da ex-república soviética. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, declarou em Moscou que o mundo "pode esquecer essa conversa de integridade territorial da Geórgia". De acordo com o chanceler russo, "é impossível convencer a Ossétia do Sul e a Abkházia a aceitarem a idéia de que podem ser forçadas a fazer parte da Geórgia" novamente. Em reação ao comentário, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Dana Perino, disse a jornalistas que o governo Bush vê o comentário russo como uma "fanfarrice" e que as autoridades americanas não darão atenção a ele. A missão que Bush encarregou a Rice é o sinal de apoio mais importante de Washington desde a explosão do conflito armado na região. O cessar-fogo declarado na terça-feira aparentemente continua vigorando na região central da Geórgia, mas há relatos de que tropas russas estavam se deslocando dentro de pelo menos duas cidades do país, Gori e Poti.  Moscou disse que está desocupando Gori, cidade estratégica 60 quilômetros a leste de Tbilisi, à beira da principal estrada que liga o leste ao oeste do país. Antes, a Rússia negava que houvesse ocupado a cidade. Em Poti, um porto no mar Negro com um pequeno terminal petrolífero, testemunhas viram tanques russos e caminhões com soldados na manhã de quinta-feira no cais. Rompimento diplomático O secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, disse que a ofensiva militar da Rússia na Geórgia terá implicações sérias para as relações de segurança entre os dois países, o que pode durar vários anos. O chefe do Pentágono, ex-especialista em União Soviética na CIA, também disse que não vê perspectiva para o uso da força militar americana na Geórgia. Falando a repórteres sobre a entrega de ajuda humanitária à Geórgia por parte do Exército americano e sobre a violência deflagrada na região desde a semana passada, Gates afirmou: "Se a Rússia não recuar dessa postura agressiva e das ações na Geórgia, a relação entre os Estados Unidos e a Rússia pode ser afetada de forma adversa por anos". Gates também ressaltou que não quer um retorno da Guerra Fria entre as duas potências nucleares. O secretário de Defesa disse que as ações da Rússia nos próximos dias e meses vão ajudar a "determinar o curso futuro" das relações. Ele também disse que devem haver "conseqüências", caso a Rússia não cumpra o cessar-fogo, como prometido. Ele também afirmou que conversou na sexta-feira passada com seu colega russo, para exigir moderação da Rússia, e, segundo Gates, "ele disse que os russos não têm intenção de invadir a Geórgia". Matéria atualizada às 14h55. 

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