EUA fornecem munição obsoleta ao Exército afegão, diz 'NYT'

Empresa abastece militares com armamento degradado e estoques europeus da época da Guerra Fria

Agências internacionais,

27 de março de 2008 | 09h12

A edição do jornal americano The New York Times afirma nesta quinta-feira, 27, que uma empresa americana responsável pelo abastecimento bélico o Exército do Afeganistão em seu combate aos militares da Al-Qaeda fornece munição velha. Citando fontes oficiais americanas e afegãs, a reportagem aponta que a fornecedora envia material com mais de 40 anos em embalagens em decomposição, além de estoques obsoletos dos tempos da Guerra Fria pertencentes do bloco comunista. Por meio de uma concessão de um contrato federal conquistada em janeiro de 2007 de mais de US$ 300 milhões, a empresa escolhida foi a AEY Inc., envolvida num caso de entidades suspeitas de tráfico ilegal de armas trabalhando com intermediários e uma empresa fantasma citadas na lista levantada pela Justiça. Além disso, dezenas de milhões de rifles, metralhadoras e munição enviadas aos militares afegãos teriam sido produzidas na China ou compradas da Albânia, violando leis americanas. Nesta semana, após os pedidos de informação do NYT ao Exército americano, o contrato com a empresa foi suspenso sob a justificativa de que os militares dos EUA teriam sido enganados com a compra de armamentos chineses. A AEY é uma das muitas empresas desconhecidas que lucram desde 2003, quando o Pentágono começou a investir bilhões de dólares no treinamento e fornecimento de equipamentos para as forças afegãs e iraquianas. Sua ascensão se mostrava como um exemplo de sucesso da administração do presidente George W. Bush no setor privado do país durante sua estratégia de guerra.  Porém, segundo o NYT, um exame de documentos confidenciais do governo e de parte da munição enviada aos países sugere que os oficiais responsáveis pelas aquisições do Exército, pressionados para armar as tropas afegãs, permitiram que uma empresa imatura entrasse para o comércio internacional de armas usando o nome do Pentágono. Tanto o Exército americano como a AEY consideravam as fontes das munições compradas pela empresa como algo confidencial, sem revelar origem, preços ou quantidades. Porém, registros fornecidos por um pesquisador do tráfico de armas europeu e um informante nos Bálcãs afirmaram que a fornecedora adquiria munição deteriorada e obsoleta de depósitos de algumas ex-Repúblicas Soviéticas e países do Leste Europeu.

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