EUA indiciam marines por mortes de 24 civis no Iraque

Os dois militares são os primeiros acusados no caso Haditha; processo corre em corte marcial

Reuters,

20 de outubro de 2007 | 13h33

Um comandante de batalhão e um soldado dos fuzileiros navais americanos enfrentarão a corte marcial em acusações relacionadas às mortes de 24 civis iraquianos em Haditha, no Iraque, em 2005, anunciou o Corpo dos Fuzileiros Navais dos EUA neste sábado, 20. Os dois homens são os primeiros militares a enfrentar uma corte marcial no caso. O processo, que inicialmente incluía mais quatro homens, começou em dezembro do ano passado. O tenente-coronel Jeffrey Chessani foi um dos quatro marines inicialmente acusados pelas mortes, num caso que causou indignação internacional. Chessani era o comandante da operação e foi acusado de negligência no cumprimento do dever, no relatório e na investigação do incidente. Os fuzileiros também anunciaram na sexta-feira, 19, que o soldado Stephen Tatum enfrentaria a corte marcial por homicídio culposo (involuntário) e outras acusações. A acusação original de homicídio doloso (intencional) foi retirada. O tenente-general James Mattis, chefe do Comando Central do Corpo dos Fuzileiros Navais dos EUA, recomendou as acusações contra os dois homens depois de avaliar as provas apresentadas em audiências de pré-julgamento, conhecidas como procedimento do Artigo 32. "O tenente-general Mattis tomou sua decisão depois de considerar a informação desenvolvida pelas investigações do Serviço Investigativo Criminal Corpo dos Fuzileiros Navais, Exército e Marinha, como também provas apresentadas durante a audiência da investigação do Artigo 32", anunciaram os fuzileiros em comunicado. O Corpo dos Fuzileiros Navais retirou Chessani de seu comando em abril de 2006, depois que um artigo da revista Time detalhou a ação de 19 de novembro de 2005, com as mortes que se seguiram a um ataque a bomba. Um jovem fuzileiro também morreu na ocasião. Relatos Testemunhas no tribunal militar mostraram que os fuzileiros na unidade mataram cinco homens desarmados depois de ordenarem que saíssem de um carro. Eles também mataram outras 19 pessoas, incluindo mulheres e crianças em duas casas nas proximidades. Tatum foi um dos fuzileiros que "abriu caminho" pelas casas durante o incidente, de acordo com testemunhas. O soldado Humberto Mendoza disse, em agosto, que Tatum ordenou que ele atirasse contra um grupo de mulheres e crianças iraquianas que ele encontrou em uma cama, em um quarto fechado. Tatum servia em sua segunda missão quando as mortes de Haditha ocorreram. Durante sua primeira incursão no país, Tatum participou da batalha de Falluja, em 2004. "O soldado Tatum não cometeu nenhum crime, e vamos levar a batalha para o tribunal", disseram seus advogados, Kyle Sampson e Jack Zimmermann, em comunicado. Mattis não anunciou se processará o sargento Frank Wuterich, líder da unidade que admitiu ter atirado contra civis iraquianos. O Corpo dos Fuzileiros Navais havia dito inicialmente que a matança foi resultado da resposta a uma investida de insurgentes. Uma audiência de provas contra um outro fuzileiro deverá ocorrer nas próximas semanas.

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