EUA intensificam operações secretas contra o Irã

Congresso americano aprovou fundos de operação de Bush para desestabilizar liderença iraniana, diz revista

O Estado de S. Paulo,

29 de junho de 2008 | 16h16

Os líderes do Congresso americano concordaram no final do ano passado em conceder os fundos pedidos pelo presidente George W. Bush para intensificar significativamente as operações secretas realizadas contra o Irã com o intuito de desestabilizar a sua liderança, de acordo com reportagem publicada neste domingo, 29, na versão online da revista The New Yorker.  Veja também:Irã estuda incentivos para abandonar programa nuclearIrã precisa provar que não deseja armas atômicas, diz Brown O artigo do repórter Seymour Hersh, nas edições de 7 e 14 de julho, concentra-se numa ordem executiva altamente secreta assinada por Bush que, pela legislação, precisa ser levada ao conhecimento dos líderes democratas, republicanos e do senado, bem como dos membros de maior patente dos comitês de inteligência. "A ordem se concentrava no enfraquecimento das ambições nucleares do Irã e na tentativa de enfraquecer o governo através da mudança de regime", disse uma pessoa familiarizada com o conteúdo da ordem, e envolvida no "trabalho com grupos de oposição e transferência de dinheiro." Hersh já havia escrito sobre possíveis planos da administração Bush de entrar em guerra para impedir Teerã de obter armas nucleares, incluindo uma matéria de abril de 2006 publicada na The New Yorker que sugere que a mudança de regime no Irã, seja por meios diplomáticos ou militares, seria o objetivo final de Bush. O orçamento para a intensificação das operações secretas, para as quais Bush pediu até US$ 400 milhões, foi aprovado pelos líderes do congresso, de acordo com o artigo, citando fontes no exército, militares reformados, fontes entre os congressistas e oficiais de inteligência. As operações clandestinas contra o Irã não são novidade. As Forças Especiais americanas realizam operações atravessando a fronteira sul do Iraque desde o ano passado, segundo a matéria. Estas operações incluíram a captura de membros do Al Quds, o braço fortemente armado da Guarda Revolucionária do Irã, e o seu envio ao Iraque para interrogatório, além da busca por "alvos de grande valor" na guerra de Bush contra o terrorismo, os quais podem ser capturados e mortos , de acordo com o artigo. O embaixador americano no Iraque, Ryan Crocker, disse ao programa Late Edition da CNN que não lera a matéria, mas negava as alegações sugerindo operações do outro lado da fronteira. A intensidade e o alcance das operações no Irã, as quais incluem a CIA, foram agora significativamente expandidas, disse a matéria da The New Yorker, citando oficiais em serviço e reformados.

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