EUA investigam analista de inteligência em caso de vazamento de documentos

Jovem de 22 anos foi detido em maio, após denúncia de envio de arquivos ao Wikileaks

Efe

27 de julho de 2010 | 12h44

WASHINGTON - O Pentágono investiga se o analista de inteligência Bradely Manning é o responsável pelo vazamento de cerca de 91 mil documentos militares sobre a guerra do Afeganistão, afirmou um porta-voz nesta terça-feira, 27.

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O analista, de 22 anos, foi detido em maio, depois que um hacker, Adrian Lamo, denunciou que Manning teria feito downloads de 260 mil documentos e os enviado ao site de denúncias Wikileaks.

 

O porta-voz do Pentágono, o coronel Dave Lapan, disse, em declarações à imprensa nesta segunda-feira, que o Departamento de Defesa lançou uma ampla investigação para descobrir quem divulgou o material, mas reconheceu que Manning é suspeito.

"É alguém a quem estamos analisando de perto", afirmou Lapan sobre Manning, garantindo, porém, que ele não é a única pessoa investigada pelo caso de vazamento.

No último dia 5 de julho, o Pentágono apresentou denúncias contra Manning, a quem acusam, entre outras coisas, de supostamente ter enviado ao Wikileaks um vídeo de um ataque aéreo americano no Iraque em julho de 2007.

O vídeo questiona a versão oficial sobre como o Exército dos Estados Unidos matou 11 iraquianos, entre os quais havia um fotógrafo e um motorista que trabalhavam para a agência de notícias "Reuters".

As imagens mostram, desde a visão de um piloto de um helicóptero Apache, os disparos contra um grupo, com homens armados e outros sem armas, que andavam pela rua em um bairro de Bagdá.

No vídeo, podem ser ouvidos os gritos de militares celebrando as mortes, dizendo "vejam esses bastardos mortos", enquanto outro pede permissão para disparar contra um homem que parou seu veículo para ajudar os feridos.

A Wikileaks, uma organização que se dedica a denunciar más práticas na Internet, publicou no domingo à noite em seu site a maior parte dos documentos sobre a guerra do Afeganistão, sob o título "Diário da guerra afegã". Os documentos se referem a atividades entre janeiro de 2004 e 2010.

Além disso, reservou outros 15 mil documentos a pedido de sua fonte, embora, assegura que eles seriam publicados posteriormente após a ocultação de dados que possam ser prejudiciais.

Entre outras coisas, os relatórios militares revelam operações encobertas, mortes de civis que nunca tinham sido divulgadas e denunciam a ajuda dos serviços secretos paquistaneses ao movimento Taleban.

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Reprodução de um dos arquivos vazados ao Wikileaks

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