EUA investigam explosão de foguete que abasteceria estação espacial

EUA investigam explosão de foguete que abasteceria estação espacial

Autoridades começaram a investigar nesta quarta-feira o que fez um foguete de abastecimento não-tripulado dos Estados Unidos explodir depois de decolar da Virgínia, destruindo suprimentos e equipamentos destinados à Estação Espacial Internacional.

IAN SIM, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 15h58

De altura equivalente a 14 andares e construído e lançado pela empresa Orbital Sciences Corp ORB.N, o foguete Antares partiu da Instalação de Voo Wallops às 20h22 (horário de Brasília) de terça-feira, mas irrompeu em chamas momentos depois. Foi o primeiro desastre desde que a Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) passou a usar empresas particulares para levar cargas para a estação orbital.

As ações da Orbital Sciences caíram para o valor de 25,54 dólares, ou uma queda de 15,9 por cento, nesta quarta-feira.

O foguete levava uma nave de carga Cygnus com 2.273 quilos de suprimentos para a estação, um laboratório de pesquisa de 100 bilhões de dólares cuja propriedade e operação são partilhadas por 15 nações e que orbita cerca de 418 quilômetros acima da Terra.

A perda da nave de abastecimento não cria um problema imediato para a tripulação de seis astronautas – dois da Nasa, um da Agência Espacial Europeia e três russos, disseram as autoridades.

“Não havia nenhuma carga que fosse absolutamente vital para nós que tenha sido perdida naquela voo. A tripulação não corre nenhum perigo”, afirmou o Administrador Associado de Aeronáutica Espacial e Administração Espacial, William Gerstenmaier.

A Roskosmos, agência espacial da Rússia, declarou estar pronta para ajudar a levar suprimentos adicionais dos EUA para a estação espacial se a Nasa pedir. A estação é supervisionada pela Rússia e pelos EUA, cujas relações estão abaladas pela crise na Ucrânia.

O veículo de abastecimento não-tripulado Russian Progress foi lançado do Cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão, horas depois da explosão, e a cápsula, levando mais de 2.267 quilos de alimentos, combustível e suprimentos, chegou à estação às 11h08 (horário de Brasília) desta quarta-feira.

BOLA DE FOGO

Ninguém se feriu no acidente, mas testemunhas disseram que a detonação sacudiu edifícios ao longo de quilômetros descreveram uma grande bola de fogo iluminando o céu vespertino.

Na sala de controle, a reação foi um misto de “choque e profissionalismo”, afirmou Frank Culbertson, vice-presidente executivo da Orbital Sciences e diretor da missão.

“Todos fizeram seu trabalho, preservaram os dados, avaliaram o que acontecia e cuidaram para que tudo estivesse são e salvo, e aí adotamos nosso plano de contingência.”

Dentro de alguns dias, disse, os investigadores terão “uma boa ideia” de onde a falha começou. “O que aconteceu exatamente pode levar um pouco mais de tempo, e as ações corretivas provavelmente levarão algum tempo, entre semanas e meses”, acrescentou.

A área ao redor da Instalação de Voo Wallops foi isolada nesta quarta-feira e um helicóptero de vigilância sobrevoou o local.

A missão Cygnus não tinha caráter militar, mas o gerente do programa Antares da empresa, Mike Pinkston, afirmou que a aeronave continha “equipamento sigiloso de criptografia, então precisamos de fato manter a segurança da área em torno dos destroços”.

O acidente renovou os questionamentos a respeito do uso de motores russos em foguetes norte-americanos. O Congresso anda preocupado com os motores RD-180 que alimentam os foguetes Atlas 5 da empresa United Launch Alliance, usados principalmente em satélites militares dos Estados Unidos.

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