EUA investigam invasão de email de comissão sino-americana

Autoridades dos EUA estão investigando alegações de que uma unidade de espionagem do governo indiano invadiu os emails de uma comissão do governo norte-americano que monitora relações econômicas e de segurança entre Estados Unidos e China, incluindo questões relacionadas à segurança cibernética.

MARK HOSENBALL, REUTERS

10 de janeiro de 2012 | 12h40

O pedido de investigação foi feito depois que hackers postaram na Internet o que seria um documento da inteligência militar indiana sobre espionagem cibernética, que discute planos de atacar a comissão - aparentemente, usando know-how fornecido por fabricantes de celulares ocidentais.

Anexado ao documento estão transcrições do que seriam trocas de mensagens online entre os membros da comissão.

"Estamos cientes desses relatos e entramos em contato com as autoridades relevantes para investigar a questão. Somos incapazes de fazer mais comentários a esta altura", disse o porta-voz Jonathan Weston, da Comissão de Revisão de Segurança e Economia Sino-Americana.

A autenticidade do documento não pôde ser verificada de forma independente. Mas a comissão sino-americana não está negando a autenticidade dos emails.

Autoridades na Índia não quiseram comentar o assunto.

Um site sediado na Índia citou um militar não identificado que teria negado que a Índia usou empresas de telefonia celular para espionar a comissão e disse ainda que os documentos foram forjados.

O brigadeiro aposentado Rumel Dahiya, vice-diretor-geral do Instituto para Estudos de Defesa e Análises do Ministério da Defesa, também disse que o documento parecia ser uma falsificação.

"Não parece uma carta verdadeira de forma nenhuma", disse Dahiya à Reuters. Ele serviu como adido da defesa na Turquia, Síria e Líbano.

"A questão que está ali dentro não é tratada pela autoridade que é mencionada. Sei disso porque tratei com aquele escritório quando era adido da defesa. Esse escritório lida apenas com adidos da defesa e cooperação com ministérios das relações exteriores".

Dahiya afirmou que o cabeçalho da carta e a assinatura foram cortados e colados de outra carta. Ele disse não saber se o conteúdo era genuíno.

CIBERATAQUES

O suposto memorando diz que a Índia selou um acordo tecnológico - os detalhes não eram claros - com fabricantes de celulares "em troca da presença no mercado indiano". Cita três fabricantes: Research in Motion, que produz o BlackBerry; Nokia; e Apple.

A porta-voz da Apple, Trudy Muller, disse que a empresa dela não havia fornecido ao governo indiano acesso a seus produtos. Um porta-voz da RIM na Índia afirmou que a empresa não comenta rumores ou especulações. A Nokia não quis fazer declarações.

O Congresso norte-americano criou a comissão em 2000 para investigar e relatar implicações à segurança nacional da relação econômica entre os EUA e a China.

O painel bipartidário, de 12 membros, realiza audiências periódicas todos os anos sobre tópicos relacionados à China, como segurança cibernética, proliferação de armas, energia, comércio internacional e política de informação.

A violação de email, se confirmada, seria a última de uma série de intrusões em computadores que atingiram as instituições norte-americanas, do Pentágono e empreiteiras de defesa e até o Google Inc..

Um grupo que se intitula os Lordes de Dharmaraja disse em um post na Internet que havia revelado a invasão. Disse ter descoberto os códigos da fonte de uma dezena de empresas de software nos servidores da Inteligência Militar indiana.

Uma autoridade do governo norte-americano, que pediu anonimato, disse que a questão estava sendo investigada. O FBI tem jurisdição para investigar cyber-hacking dentro dos EUA. Um porta-voz do FBI não quis comentar.

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