EUA 'isolam' rede militar após vazamento

O Departamento de Estado dos EUA isolou do seu banco de dados de comunicações diplomáticas uma rede militar de computadores, para tentar evitar novos vazamentos como o feito nesta semana pelo WikiLeaks, disse uma autoridade na terça-feira.

ARSHAD MOHAMMED E ROSS COLVIN, REUTERS

30 de novembro de 2010 | 21h14

Falando sob anonimato, essa fonte disse que o sistema em questão é a Rede de Roteadores do Protocolo Secreto da Internet (SIPRNet, na sigla em inglês), supostamente a origem dos 250 mil comunicados diplomáticos obtidos e divulgados pelo site WikiLeaks.

Os documentos causam constrangimento ao governo dos EUA, por exporem as engrenagens da diplomacia norte-americana e conterem avaliações brutalmente francas a respeito de líderes estrangeiros - inclusive aliados.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, lamentou na segunda-feira a divulgação dos documentos sigilosos, e disse que passou grande parte da semana passada em contato com autoridades estrangeiras para tentar limitar os danos.

Os comunicados diplomáticos revelavam, por exemplo, que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, repetidamente fez apelos aos EUA para que bombardeassem o Irã, ou então que diplomatas norte-americanas se referiam ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, como "louco".

Mas o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, minimizou o impacto das revelações. "É embaraçoso? Sim. É desconfortável? Sim. Consequências para a política externa dos EUA? Acho que bastante modestas", disse Gates a jornalistas.

"O fato é que os governos lidam com os Estados Unidos porque é do interesse deles, e não porque gostem de nós, não porque confiem em nós, nem porque acreditem que guardemos segredos. Alguns governos lidam conosco porque nos temem, porque nos respeitam, e porque precisam de nós."

O principal suspeito pelo vazamento dos documentos é Bradley Manning, ex-analista de inteligência do Exército dos EUA no Iraque. Ele já estava preso sob a acusação de ter passado ao WikiLeaks um vídeo de 2007 que mostrava um ataque de helicóptero que deixou 12 mortos no Iraque, inclusive dois jornalistas da Reuters.

O indiciamento divulgado ao público diz que ele foi responsável por desviar "mais de 150 mil telegramas diplomáticos", mas não ficou claro se esses são os mesmos documentos divulgados pelo WikiLeaks.

Num chat pela Internet, Manning, de 23 anos, confessou a um hacker que havia copiado o material diretamente do SIPRNet, gravando-o sobre músicas de Lady Gaga num CD.

(Reportagem adicional de Phil Stewart)

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