EUA mantêm suspeitos de terrorismo em 'cárceres flutuantes'

ONG afirma que 15 barcos servem de prisões e detêm 26 mil pessoas; Bush garantiu que prática seria abolida

Efe,

02 de junho de 2008 | 08h09

Os Estados Unidos utilizam "cárceres flutuantes" em que são mantidos os presos da chamada guerra antiterrorista, segundo afirmou a organização de direitos humanos Reprieve. As informações sobre os centros de detenção em barcos teriam surgido por mesmo de relatos dos próprios presos, declarações do Exército americano, do Conselho da Europa e de diversos órgãos parlamentares. Segundo o jornal britânico The Guardian, um informe da organização divulgará esse ano denunciará mais de 200 novos casos de entregas extraordinárias desde 2006, quando o presidente americano, George W. Bush, assegurou que Washington teria acabado com esse tipo de prática. As chamadas entregas extraordinárias são as prisões em que o transporte do suspeito de terrorismo se dá em condições secretas e em áreas internacionais. Os EUA podem ter usado até 17 barcos como "cárceres flutuantes" desde 2001. Os presos são interrogados a bordo e enviados para centros de detenção em outros países, segundo afirmam os autores do documento. Entre as embarcações usadas para esta prática estão o USS Bataan e o USS Peleliu, porém acredita-se que mais 15 barcos operaram em torno da ilha britânica de Diego García, no oceano Índico, usada como base para soldados britânicos e americanos. Segundo o diretor da Reprieve, Clive Stafford Smith, os americanos "escolhem barcos para manter (os presos) o mais longe possível da mira dos meios de comunicação e de advogados". Smith assegura ainda que o "governo americano admite que possui atualmente, detidas sem acusações, em prisões secretas, pelo menos 26 mil pessoas, e as informações reunidas indicam que desde 2001, um total de 80 mil podem ter passado por esse sistema". Os defensores de direitos humanos acreditam ainda que a CIA, o serviço de inteligência americano, opera prisões secretas em países como Tailândia, Afeganistão, Polônia, Romênia e possivelmente na ilha de Diego García. Os indivíduos presos pelos EUA no Afeganistão e outros países foram enviados para prisões da Síria, Jordânia, Marrocos e Egito.

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