EUA não usam tortura em interrogatórios, diz Bush

Presidente nega denúncia de jornal de que governo americano autorizou práticas inéditas de repressão

Reuters e Associated Press,

05 de outubro de 2007 | 14h52

O presidente norte-americano, George W. Bush, defendeu nesta sexta-feira, 5, o uso de prisões secretas pela CIA no exterior para interrogar suspeitos de terrorismo e declarou que os Estados Unidos não se valem de tortura. Bush disse ainda que o programa, que provocou críticas devido a seu método de interrogatórios, é destinado a "proteger melhor" os norte-americanos. "Esse governo não tortura pessoas", afirmou o presidente a jornalistas reunidos no Salão Oval da Casa Branca, após fazer declarações sobre a economia do país. A edição de quinta-feira do jornal americano The New York Times denunciou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos emitiu em 2005 um parecer secreto que permitiu a prática de tortura física e psicológica contra suspeitos de terrorismo, inclusive simulação de afogamentos e exposição a temperaturas congelantes. Na época da emissão do parecer, o secretário de Justiça dos EUA era Alberto Gonzales, um leal aliado do presidente americano, George W. Bush. Aproximadamente um ano antes, um parecer público do Departamento de Justiça declarava a tortura um ato "abominável" e o governo parecia ter desistido de reivindicar autoridade para a adoção da prática.  Questionada sobre a reportagem, Perino confirmou a existência de um parecer secreto com data de 5 de fevereiro de 2005, mas recusou-se a comentar o teor da ordem. Ela limitou a dizer que o parecer secreto não reinterpreta a lei.   Para elaborar a reportagem, o jornal baseou-se em fontes anônimas que trabalham ou trabalhavam à época no Departamento de Justiça. Os pareceres de 2005, ambos assinados por Gonzales, continuam em vigor apesar dos esforços do Congresso e dos tribunais para restringir as práticas de interrogatório implementadas pelo governo americano em resposta aos ataques de 11 de Setembro.  As autorizações vieram à tona depois da retirada de um parecer secreto de 2002 que autorizava algumas práticas agressivas desde que não produzissem dor suficiente para provocar a falência de órgãos ou a morte. A polêmica ordem deixou de vigorar em junho de 2004.

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