EUA obtêm cadeira no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Órgão foi boicotado por Washington durante governo Bush; inclusão faz parte de 'novo engajamento' de Obama

Agências internacionais,

12 de maio de 2009 | 16h34

Os Estados Unidos obtiveram nesta terça-feira, 12, uma cadeira no Conselho de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas, pela primeira vez. O país concorria com quatro nações acusadas por sérias violações aos direitos humanos: Cuba, Arábia Saudita, China e Rússia. A administração do ex-presidente George W. Bush boicotou o conselho, por suas seguidas críticas a Israel e sua recusa a mencionar flagrantes abusos ocorridos no Sudão e em outros países.

 

O governo do presidente Barack Obama anunciou em março que buscaria integrar o conselho, para ajudar a tornar a mais importante instância de direitos humanos da ONU mais efetiva, em linha com o desejo de Obama de criar uma "nova era de engajamento."

 

A Assembleia Geral da ONU escolheu EUA, Noruega e Bélgica para ocupar três vagas no grupo da "Europa Ocidental e outros Estados", enquanto Cuba, México e Uruguai conseguiram a reeleição no bloco latino-americano e do Caribe. Estes seis países tinham garantida a escolha, já que não enfrentavam nenhuma concorrência pelas três vagas disponíveis em cada grupo.

 

Uma situação semelhante ocorreu nos cinco postos asiáticos, nos quais China, Bangladesh e Jordânia conseguiram a reeleição, enquanto Arábia Saudita e Quirguistão conseguiram passar a fazer parte do órgão. No grupo da Europa Oriental, Rússia e Hungria conseguiram obter as duas vagas disponíveis, em detrimento do Azerbaijão.

 

Na África, o outro grupo com mais candidatos do que lugares abertos, Senegal, Nigéria, Maurício, Djibuti e Camarões conseguiram mais votos que o Quênia. Os EUA receberam 167 votos, na votação desta terça-feira, para integrar o conselho de 47 membros. Eram necessários 97 votos para vencer a disputa, em uma eleição secreta.

 

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, se mostrou satisfeita com o apoio conseguido na Assembleia Geral à decisão de Washington de "voltar a desempenhar um papel ativo nos órgãos multilaterais". "Embora saibamos que o Conselho de Direitos Humanos é um órgão com defeitos, que não cumpriu totalmente sua incumbência, temos a intenção de colaborar com outros países para reformá-lo de dentro", disse a diplomata, na saída da reunião.

 

O CDH foi criado em 15 de março de 2006 pela Assembleia Geral da ONU, em substituição à Comissão de Direitos Humanos, que foi suprimida após 60 anos de trabalhos, devido à crise de legitimidade na qual tinha caído por causa de decisões que eram vistas como parciais, politizadas e desequilibradas.

 

O Conselho é um órgão intergovernamental que faz parte do sistema das Nações Unidas e que é formado por 47 Estados-membros responsáveis pelo fortalecimento da promoção e da proteção dos direitos humanos no mundo.

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