EUA pedem fim do estado de exceção no Paquistão

"Não acreditamos que as medidas de exceção sejam compatíveis com o tipo de ambiente necessário para realizar eleições justas e livres", assegurou o "número dois" do Departamento de Estado americano

EFE

18 de novembro de 2007 | 07h05

O "número dois" do Departamento de Estado americano, John Negroponte,pediu, neste domingo, em Islamabad, o fim do estado de exceção no Paquistão e pediu que o presidente, o general Pervez Musharraf, e a opositora Benazir Bhutto retomem o diálogo. "Não acreditamos que as medidas de exceção sejam compatíveis com o tipo de ambiente necessário para realizar eleições justas e livres", assegurou o diplomata. Após chegar na sexta-feira ao Paquistão e reunir-se neste sábado com Musharraf, Negroponte assegurou que o país precisa do fim das restrições que pesam sobre os meios de comunicação e a libertação dos opositores políticos detidos nas últimas semanas. Negroponte é o principal funcionário americano a visitar o Paquistão desde 3 de novembro, a data na qual Musharraf declarou o estado de exceção, que justificou pela deterioração da ordem e a interferência da Justiça no trabalho do Governo. Em sua reunião de ontem, Negroponte pediu diretamente a Musharraf o fim do estado de emergência, mas este assegurou que só tomará a medida quando as "condições de segurança" assim permitirem. O diplomata se reuniu também com o número dois do Exército paquistanês, o general Ashfaq Pervez Kiani, e ligou para a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que liderou os protestos da oposição contra o estado de exceção. Negroponte disse que ainda é cedo para falar do "êxito ou fracasso" de sua visita, já que a situação no Paquistão se "polarizou" durante a semana, em referência à prisão domiciliar de quatro dias de Benazir Bhutto. "A moderação é o melhor caminho", assegurou o diplomata antes de deixar o Paquistão. "O povo do Paquistão merece a oportunidade de escolher seus governantes sem as restrições que existem sob um estado de exceção. Musharraf deve tomar medidas o mais rapidamente possível", assegurou. "Se esses passos não forem dados, a capacidade do Governo para realizar eleições satisfatórias será baixa", acrescentou. Negroponte aproveitou sua visita para pedir a Musharraf e Bhutto que retomem as conversas para chegar a um acordo de distribuição de poder, um pacto que conta com o respaldo dos Estados Unidos como contenção contra o extremismo islâmico. Bhutto, que tinha retornado em outubro ao Paquistão em virtude desse suposto pacto após anos de exílio, descartou o diálogo com Musharraf e se nega a fazer parte de seu Governo, como protesto contra o estado de exceção. As conversas"ajudariam a melhorar o ambiente político e empurrariam os atores políticos para fora da atmosfera do confronto", acrescentou Negroponte.

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