EUA pedem que Europa receba presos de Guantánamo

Cerca de 240 continuam na prisão, que Obama quer fechar em 9 meses; 60 não podem retornar a seus países

Agência Estado e Associated Press,

28 de abril de 2009 | 17h16

O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, pediu nesta terça-feira que países da Europa aceitem alguns dos detentos libertados da prisão da baía de Guantánamo. O pedido foi feito durante uma reunião com vários representantes europeus para atualizar tratados de extradição e de cooperação legal e Holder pediu ajuda para fechar a prisão. "Tivemos uma conversa muito franca", disse Holder. Mais tardem ele acrescentou: "nenhuma promessa foi feita."

 

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Atualmente, cerca de 240 detentos ainda são mantidos em Guantánamo. Cerca de 60 deles podem não ser enviados de volta a seus países de origem em razão das preocupações de que possam ser maltratados. Mas quando se trata de ter ex-suspeitos de terrorismo internacional andando nas ruas, a administração Obama tenta superar o sentimento "não no meu quintal" que existe nos dois lados do Atlântico.

 

O ministro do Interior da República Checa, Ivan Langer, disse acreditar que alguns países europeus vão aceitar os ex-prisioneiros de Guantánamo, mas não o seu país. "Sim, eu espero que a Europa aceite alguns e há uma forte vontade em alguns países", disse Langer, que se opõe ao envio de tais prisioneiros para o sua terra natal. "Nós não aceitamos ninguém porque há chances muito pequenas de integração dessas pessoas" na República Checa, disse Langer.

 

Ele acrescentou que é muito importante que as autoridades norte-americanas divulguem o "máximo de informações" sobre os casos dos detentos para que, dessa forma, funcionários da União Europeia possam saber exatamente quem estão aceitando. Recentemente, a Áustria argumentou que os Estados Unidos deveriam abrigar ex-prisioneiros antes de pedir a qualquer país tome essa atitude.

 

O governo norte-americano afirma que alguns dos detentos remanescentes de Guantánamo podem ser libertados sem problemas e espera enviar alguns deles para a Europa. "Precisamos encontrar lugar para onde essas pessoas possam ir e pedimos ajuda de nossos parceiros da União Europeia", disse Holder durante uma coletiva de imprensa após o encontro.

 

Líderes europeus presentes à reunião disseram que os Estados Unidos precisam fornecer mais detalhes sobre os detentos. "O que pedimos é o fornecimento do máximo de informações", disse Langer. O ministro checo afirmou que representantes europeus também estão determinados a chegar a uma atitude coordenada dentro do bloco. "Ninguém pode dizer: 'você não pode receber essas pessoas' ou 'você tem de receber essas pessoas'", disse o ministro.

 

Um dia antes, Holder reuniu-se com representantes britânicos que sinalizaram estudar pedidos para receber os detentos de Guantánamo. Vários países europeus, dentre eles Portugal e Lituânia, disseram que vão estudar o recebimento de prisioneiros. Outros, como a Alemanha, estão divididos sobre o assunto. Na quarta-feira, Holder planeja fazer um discurso em Berlim sobre o objetivo norte-americano de fechar a prisão em nove meses.

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