EUA pedem que governo da Ucrânia escute povo

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, pediu nesta terça-feira ao governo ucraniano que "escute as vozes de seu povo", depois que a decisão do presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, de rejeitar um acordo com a União Europeia provocou uma onda de protestos de massa.

DAVID BRUNNSTROM E JUSTYNA PAWLAK, Reuters

03 de dezembro de 2013 | 21h06

Kerry disse que os ucranianos haviam se manifestado "em números inacreditáveis" em favor de um acordo para estreitar relações com a União Europeia, o qual Yanukovich rejeitou na semana passada, preferindo incentivos russos.

"O senhor Yanukovich obviamente tomou uma decisão pessoal e as pessoas não concordam com a sua decisão", disse Kerry depois de um encontro de ministros de Relações Exteriores dos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Bruxelas.

"Claramente, há uma demonstração poderosa do povo, que gostaria de se associar com a Europa - nós ficamos com a vasta maioria dos ucranianos que querem ver esse futuro para o seu país", declarou ele em uma entrevista à imprensa.

"Nós pedimos ao governo ucraniano que escute as vozes de seu povo que quer viver em liberdade e com oportunidades e prosperidade. Pedimos a todos os lados que se conduzam pacificamente. A violência não tem lugar em um moderno Estado europeu."

Antes, os chanceleres de países da Otan condenaram o uso "excessivo de força" contra manifestantes na Ucrânia e pediram a todas as partes que evitassem provocar novos confrontos.

A polícia ucraniana usou cassetetes e granadas de efeito moral no fim de semana para acabar com protestos pró-Europa.

Kerry disse não ver nenhum papel para a Otan na resolução da crise, apesar do comunicado dos ministros.

"Isto é de fato algo que o povo da Ucrânia tem de resolver com seus líderes e os líderes precisam escutar o povo", afirmou.

Em uma referência aos esforços da Rússia para afastar a Ucrânia da União Europeia, Kerry disse que os ucranianos deveriam poder fazer sua própria escolha sem uma "guerra de lances".

"Há alguma evidência nas últimas 24 horas de que a liderança respondeu, ao dizer que a porta permanece aberta e que pode reexaminar essa questão. Eu não sei", afirmou.

Kerry preferiu não visitar a Ucrânia nesta semana para uma conferência ministerial e, em vez disso, irá na quarta-feira para a vizinha Moldávia, que, como outra ex-república soviética, a Geórgia, iniciou na semana passada um acordo para estreitar relações com a União Europeia.

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