EUA podem pagar mais por base no Quirguistão, diz Gates

Parlamento do país aprovou fim do arrendamento, crucial para as operações americanas no Afeganistão

AP e Reuters,

19 de fevereiro de 2009 | 15h28

O secretário da Defesa americano, Robert Gates, disse nesta quinta-feira, 19, que os Estados Unidos podem considerar pagar mais pelo arrendamento de uma base aérea militar estratégica no Quirguistão, após o governo do país decidir não renovar um acordo de uso com Washington. Na Polônia para conversas com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Gates afirmou que considera ainda "abertas" as negociações para a base na Ásia Central, crucial para as operações dos EUA no Afeganistão.   Veja também: EUA alertam que 'todos devem fazer mais' no Afeganistão EUA perdem base no Quirguistão   O Parlamento do Quirguistão aprovou nesta quinta, por 78 votos a favor e um contra, uma proposta do governo de fechar a base. O presidente Kurmanbek Bakiyev anunciou os planos para fechamento do local este mês, após aceitar mais de US$ 2 bilhões em ajuda e crédito da Rússia, sua tradicional aliada. Ele acusou Washington de se recusar a pagar um aluguel maior pelo uso da base.   A decisão parlamentar ocorre num momento de grande rivalidade entre Moscou e Washington pelo controle da Ásia Central, vasta região da antiga União Soviética ainda percebida pela Rússia como parte de sua esfera de interesse. Ainda nesta quinta, o Pentágono confirmou que ainda analisa ofertas para o uso da base. "Continuaremos a considerar o que poderemos ofertar ao governo (do Quirguistão), mas não estamos preparados para ficar a qualquer preço e continuaremos a buscar outras opções disponíveis", disse Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono.   Os EUA afirmam pagar US$ 17,4 milhões por ano pelo uso da base e fornecerem um total de cerca de US$ 150 milhões de em assistência ao Quirguistão anualmente. A base de Manas é um ponto de passagem chave para a passagem de suprimentos aos soldados americanos no Afeganistão, onde os EUA planejam acrescentar outros 17 mil soldados, de acordo com ordens anunciadas esta semana pelo presidente Barack Obama.   Escudo antimíssil   Gates disse ainda que os EUA não se decidiram sobre a implantação do escudo antimísseis na Polônia e República Checa. Em um gesto conciliatório, na semana passada o subsecretário de Estado, William Burns, havia afirmado que Washington considerava a possibilidade de uma nova configuração para seu polêmico sistema de defesa.   Moscou diz que o plano do escudo de mísseis é uma ameaça à sua segurança e já anunciou que irá retaliar caso o sistema seja implantando. Os EUA alegam que o escudo serviria para deter possíveis mísseis vindos de países "malévolos", principalmente do Irã.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.