EUA podem ter disputas políticas maiores após acordo sobre 'abismo fiscal'

O presidente norte-americano, Barack Obama, e os congressistas republicanos podem enfrentar batalhas orçamentárias ainda maiores nos próximos dois meses, depois que um duro acordo evitou por pouco o chamado "abismo fiscal", uma combinação devastadora de aumentos de impostos e cortes de gastos.

THOMAS FERRARO E JOHN WHITESIDES, Reuters

02 de janeiro de 2013 | 20h50

O acordo, aprovado na noite de terça-feira pela Câmara dos Deputados, liderada pelos republicanos, foi uma vitória para Obama, que ganhou a reeleição com a promessa de lidar com os problemas orçamentários, em parte, elevando os impostos para os mais ricos.

Mas o acordo estabeleceu potenciais confrontos nos próximos dois meses sobre cortes de gastos e um aumento no limite de empréstimo da nação.

Os republicanos, enfurecidos porque o acordo de "abismo fiscal" pouco fez para conter o déficit federal, prometeram usar o debate do teto da dívida para obter cortes de gastos mais profundos da próxima vez.

Os republicanos acreditam que terão uma influência maior sobre o democrata Obama quando tiverem que considerar o aumento do limite de empréstimo, provavelmente em fevereiro.

As apostas são ainda maiores na questão da dívida do que foram no abismo fiscal porque o fracasso em fechar um acordo pode significar o calote da dívida norte-americana ou outro rebaixamento na nota de crédito do país. Um confronto similar em 2011 levou a um rebaixamento do crédito.

Na realidade, a agência de classificação de risco Moody's Investors advertiu Washington nesta quarta-feira de que deveria fazer mais para cortar o déficit do que fez na medida de "abismo fiscal" se o país quisesse reverter sua classificação negativa da dívida soberana.

O senador republicano Pat Toomey, da Pensilvânia, disse que seu partido tinha que estar pronto para fazer o que fosse preciso para obter os cortes de gastos.

"A nossa oportunidade aqui é o teto da dívida", disse Toomey na MSNBC. "Nós, republicanos, precisamos estar dispostos a tolerar um desligamento parcial e temporário do governo, que é o que isso poderia significar."

Mas Obama pode ser encorajado por ter vencido a primeira rodada de batalhas fiscais, quando dezenas de deputados republicanos cederam e votaram por aumentos importantes de impostos pela primeira vez em duas décadas.

A deterioração das relações entre os líderes dos dois partidos no episódio do abismo fiscal não prenuncia nada de bom para os embates mais difíceis adiante.

O vice-presidente do país, Joe Biden, e o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, tiveram que intervir para chegar a um acordo final em meio a relações desgastadas entre o presidente da Câmara, John Boehner, e Obama.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, também atraiu a ira de Boehner, que chegou a dirigir palavras de baixo calão a Reid na Casa Branca após um encontro tenso na semana passada, disseram assessores. A réplica veio depois que o democrata acusou Boehner de operar uma "ditadura" na Casa.

Lamentando a intensidade da disputa sobre o abismo fiscal, Obama pediu "um pouco menos de drama" quando o Congresso e a Casa Branca lidarem com questões orçamentárias. Ele prometeu evitar outra luta divisora em relação ao teto da dívida antes do prazo final para aumentar o seu limite, em fevereiro.

(Reportagem adicional de Susan Heavey e Richard Cowan, em Washington; e de Gabriel Debenedetti e Ernest Scheyder, em Nova York)

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