Susan Walsh/AP
Susan Walsh/AP

EUA põem fim a combates no Iraque

Foco do governo e dos americanos deve ser a recuperação da economia, diz Obama à nação

Luiz Raatz, estadão.com.br

31 de agosto de 2010 | 21h01

SÃO PAULO - O presidente americano, Barack Obama, declarou nesta terça-feira, 31, o final de sete anos de operações militares dos EUA no Iraque. O democrata prometeu dar prioridade à recuperação da economia americana.

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"Hoje, estou anunciando que a missão de combate americana no Iraque acabou. A operação liberdade no Iraque acabou e o povo iraquiano será agora responsável pela segurança de seu país", disse Obama em discurso transmitido pela TV no Salão Oval da Casa Branca.

"Nossa tarefa mais urgente é restaurar nossa economia e reempregar os milhões de americanos que não têm trabalho. Será difícil, mas nos dias que virão será nossa missão central como um povo e minha responsabilidade principal como presidente", acrescentou.

Com índices medianos de aprovação, principalmente devido à lenta recuperação da economia, Obama terá pela frente um teste nas urnas em novembro, quando os EUA terão eleições regionais e legislativas. Os republicanos são favoritos e podem tirar a maioria no Congresso dos democratas.

Obama disse ainda que cumpriu a promessa de dar um fim responsável à guerra, a qual se opôs desde o início, quando era um senador do Estado de Illinois. A retirada do Iraque foi uma de suas promessas de campanha, em 2008.

Cerca de 50 mil soldados ficarão no Iraque para funções de treinamento do Exército e da polícia do país. O presidente evitou dizer que a guerra foi ganha.

 

"Acreditamos que das cinzas da guerra, uma nova era nascerá neste berço da civilização. Agora, é hora de virar a página", concluiu o presidente.

A guerra

 

O país foi invadido em março de 2003 durante o governo George W. Bush sob alegações, que mais tarde se provariam falsas, de que o regime do então ditador Saddam Hussein desenvolvia armas de destruição em massa.

Após a derrubada de Saddam, os EUA enfrentaram uma resistência de militantes no Iraque. Um confronto sectário entre sunitas e xiitas desatou um onda de violência no país, contida após uma estratégia bem sucedida de aumento nas tropas em 2007.

Saddam foi derrubado e condenado a morte pelo novo regime iraquiano, que estabeleceu uma constituição e um governo democrático no país. O confronto e a violência sectária decorrente dele mataram ao menos 97.568 mil civis iraquianos, segundo estimativa independente do site Iraq Body Count. De acordo com dados do site icasulties, 4.419 soldados americanos morreram em combate.

 

Afeganistão

 

Sobre o conflito ainda em curso no Afeganistão, Obama disse que os Estados Unidos derrotarão a Al-Qaeda e evitarão que o país volte a ser base na rede terrorista.

 

"Interromperemos, desmantelaremos e derrotaremos a Al-Qaeda, enquanto prevenimos que o Afeganistão volte a servir de base a terroristas".

 

Segundo Obama, o início da retirada das tropas do país dependerá de como evolui a situação no terreno. Em dezembro passado, o presidente disse que os soldados americanos começariam a deixar o país em 2011.

 

Dessa vez, Obama afirmou que no ano que vem será iniciada "uma transição para que o Afeganistão assuma responsabilidades".

 

"O ritmo da redução de nossas tropas será determinado pelas condições sobre o terreno e nosso apoio ao Afeganistão continuará", declarou o presidente.

 

"Que ninguém se equivoque: esta transição começará porque uma guerra sem fim não serve aos nossos interesses nem aos do povo afegão", disse.

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