EUA prendem 121 pessoas na maior ação já feita contra a Máfia

Autoridades prenderam na quinta-feira 121 suspeitos no que o FBI disse ter sido a maior operação em um só dia já feita conta a máfia.

BERND DEBUSMANN JR., REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 20h18

As prisões, feitas com auxílio de ex-mafiosos convertidos em informantes, demonstram que a máfia continua sendo uma ameaça, apesar das várias décadas de repressão, durante as quais vários chefões foram para a cadeia. Mas a ação revela também que a famosa "omertà", ou código de silêncio, é um mito, segundo autoridades.

Mais de 800 agentes federais e locais detiveram os suspeitos em pelo menos quatro Estados, além de um mafioso detido pelas autoridades italianas. Os alvos foram cinco "famílias" mafiosas de Nova York, uma de Nova Jersey, e uma da Nova Inglaterra.

Foram indiciados 127 suspeitos de crimes como homicídio, narcotráfico, extorsão, exploração de jogos de azar e agiotagem, cometidos nos últimos 30 anos, disse o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, numa entrevista coletiva em Nova York.

Quatro dos indiciados já estavam presos anteriormente.

A máfia ítalo-americana, também conhecida como La Cosa Nostra, tem raízes na Sicília e continua impregnando a cultura popular norte-americana por causa de programas de TV e filmes como "O Poderoso Chefão", de 1972.

Holder disse que os integrantes da máfia estão "entre os mais perigosos criminosos" dos EUA.

"Algumas acusações envolvem clássicas ações de bandidos para eliminar rivais. Outras envolvem homicídios sem sentido. Em um caso, uma vítima teria sido baleada e morta durante uma frustrada tentativa de assalto. E duas outras vítimas de homicídio teriam sido mortas a tiros em um bar público devido a uma briga por causa de uma bebida derramada", disse Holder.

Janice Fedarcyk, diretora-assistente do FBI encarregada da Divisão de Nova York, negou que a máfia tenha ficado debilitada ou menos violenta nos últimos anos. "Prender e condenar as hierarquias das cinco famílias várias vezes não erradicou o problema", disse ela.

Já o advogado criminalista Bruce Barket, de Nova York, contestou essa tese, dizendo que a Costa Nostra perdeu grande parte da sua força há muito tempo, e tem sido substituída por quadrilhas albanesas e russas, entre outras.

"Reservadamente, as autoridades lhe dirão que não sobrou ninguém", disse Barket. "Muitas das prisões de hoje são de velhos bandidos por crimes cometidos há muito tempo."

Entre os indiciados em Nova York estão líderes das famílias Colombo e Gambino, vários deles com mais de 60 anos de idade.

Howard Abadinsky, especialista em crime organizado da Universidade Saint John's, de Nova York, disse que a ação policial deve ter um efeito efêmero.

"Certamente há pessoas perigosas que foram tiradas das ruas," disse Abadinsky. "Mas as ações policiais permitem que novatos que estavam labutando nas trincheiras (da Máfia) ascendam."

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