EUA punem Bolívia por falta de cooperação na luta antidrogas

Washington se prepara para suspender benefícios comerciais; medida reflete desgaste nas relações bilaterais;

Reuters e Efe,

26 de setembro de 2008 | 17h23

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, está se mobilizando para suspender benefícios comerciais para a Bolívia, devido à falta de cooperação do país sul-americano na luta contra as drogas no ano passado, informou uma autoridade comercial dos EUA na sexta-feira. A medida reflete o desgaste crescente nas relações entre Bolívia e Estados Unidos no governo do presidente Evo Morales.     Veja também: EUA colocam Bolívia em lista negra de combate às drogas Bolívia diz que pedirá ajuda russa para combate ao narcotráfico"As ações recentes do governo Evo relacionadas à cooperação com narcóticos não são ações de um parceiro e não são condizentes com as regras desses programas", disse a Representante Comercial dos EUA Susan Schwab em nota. Mais cedo neste mês, Morales expulsou o embaixador norte-americano no país depois de acusar que Washington estava fomentando a violência contra ele na Bolívia. "Lamentamos que a suspensão proposta pela ação do governo boliviano afete os trabalhadores do país", disse Schwab. "Mas uma vez imposta, a punição pode ser suspensa assim que o governo boliviano melhorar seu desempenho." Bolívia, Equador, Peru e Colômbia receberam status sem tarifas para a maioria de seus bens por um programa de 1991 para ajudar no combate do tráfico ilegal de drogas. Para Michael Shifter, vice-presidente do Diálogo Interamericano, um centro de estudos em Washington, "este tipo de castigo vai agravar a relação" bilateral. Em sua opinião, "a medida foi talvez precipitada demais, tinham que ter deixado as coisas se acalmarem."No ano passado, as importações da Bolívia para os EUA chegaram a 362,6 milhões de dólares, valor bem menor que o de outros países andinos. Isso incluiu 73 milhões de dólares em jóias e cerca de 20 milhões de dólares em roupas e têxteis, assim como 64 milhões de dólares em estanho e 46 milhões em petróleo bruto e 20 milhões em óleo combustível. A lei que comanda o programa requer que a Representação Comercial dos Estados Unidos promova uma audiência sobre a suspensão proposta antes que ela tenha efeito. A audiência ainda não foi marcada, informou o escritório de Schwab. A recente expulsão dos funcionários da agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional e a remoção da agência norte-americana de combate as drogas das principais áreas de produção ilegal de coca são duas das razões por trás da proposta de suspensão dos benefícios, disseram autoridades. "Um acréscimo notável na produção de cocaína, a falha do governo para fechar mercados ilegais de coca, e políticas públicas que aumentam o cultivo de coca sancionado pelo governo, colocaram em dúvida o comprometimento do governo boliviano em cooperar na luta contra o tráfico de drogas", informou a Representação Comercial dos EUA.    

Tudo o que sabemos sobre:
EUABolíviacombate às drogas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.