EUA qualificam de 'perturbadora' possível relação Chávez-Farc

Os Estados Unidos qualificaram naquarta-feira como perturbadores os novos dados sobre possíveisvínculos entre o governo da Venezuela e a guerrilha colombianaFarc, mas nem por isso Washington deve colocar Caracas na sualista de Estados que apóiam o terrorismo. De acordo com o governo colombiano, computadores daguerrilha apreendidos no começo do mês mostram que os governosesquerdistas de Equador e Venezuela estão ajudando as Farc,entidade qualificada pelos EUA como terrorista. O secretário-assistente de Estado Tom Shannon disse que osEUA ainda estão analisando cuidadosamente as informações doscomputadores, mas "o que surgiu até agora é preocupante". "Eu chamaria mesmo de perturbador, porque parece indicar umgrau de diálogo e discussão entre membros do governo daVenezuela e as Farc que tem de ser explicado", afirmou ele ajornalistas numa entrevista sobre a visita que a secretária deEstado Condoleezza Rice fará nesta semana ao Brasil e Chile. "Mas estamos muito no começo do processo, e seria um errojá tirar conclusões", acrescentou, sem indicar se as supostasinformações são suficientes para colocar a Venezuela ao lado deCuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão e Síria na listanorte-americana de países acusados de patrocinar o terrorismo. "Declarar alguém como um Estado patrocinador do terrorismoé um grande passo. É um passo sério. E só seria dado apósconsiderações muito cuidadosas de todas as provas", disseShannon, principal diplomata dos EUA para a América Latina. Questionada por parlamentares sobre a suposta ligação entreChávez e as Farc, Rice evitou uma resposta direta, mas lembrouque o líder venezuelano vem tentando convencer outros países aretirarem a guerrilha de suas listas de organizaçõesterroristas. Constar na lista norte-americana de Estados terroristasacarreta quatro conjuntos de sanções: embargo de armas,controles na exportação de produtos com "duplo uso" (civil emilitar), proibição de certas ajudas econômicas e sançõesfinanceiras, inclusive com restrições a empréstimos do FMI eBanco Mundial a esses países. Não está claro se a eventual inclusão afetaria a venda depetróleo da Venezuela para os EUA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.