EUA querem que Otan reduza laços com a Rússia

Os Estados Unidos vão pedir naterça-feira a seus aliados da Otan que considerem a suspensãodas reuniões ministeriais entre a aliança militar e Moscou, demodo a pressionar os russos a respeitarem o acordo de paz naGeórgia, disse uma fonte norte-americana de primeiro escalão. A Rússia, por sua vez, afirmou que a cooperação com a Otanjá foi afetada pelo apoio da aliança ocidental à Geórgia noatual conflito, e que a relação Moscou-Otan pode ser ainda maisabalada se a Geórgia conseguir aderir à aliança, como pretende. Um porta-voz da Otan disse que, na reunião de emergência emBruxelas, os 26 países da Otan devem oferecer apoio à Geórgia ereiterar a promessa de uma futura adesão, que havia sido feitaem abril. A reunião foi convocada por Washington depois que a Rússiaenviou tropas à Geórgia para proteger a autonomia da repúblicaseparatista da Ossétia do Sul. Uma importante fonte dos EUA disse, sob anonimato, que porenquanto não há sinais de desocupação russa na Geórgia, e que"no mínimo" a Otan deveria suspender as reuniões ministeriaiscom a Rússia. "Não queremos estar numa espécie de relação congelada. Masaté que os russos retirem suas forças da Geórgia e respeitem asnormas internacionais do século 21, simplesmente não podemosmanter as coisas normalmente." O representante russo na Otan, Dmitry Rogozin, disse queseu país acompanhará atentamente a reunião e alertou: "Se defato forem tomadas tais decisões em prol do agressor georgiano,não poderemos manter a qualidade e o cronograma da nossarelação com a Otan. Hoje temos uma séria tentação de questionartoda a nossa potencial cooperação com a Otan." Isso poderia incluir, por exemplo, uma proibição de quetropas da Otan cruzem o território russo a caminho doAfeganistão. Diplomatas disseram que a Otan ainda está discutindo umadeclaração ministerial. EUA, Grã-Bretanha e os países do LesteEuropeu estariam a favor de um texto mais duro, enquanto outrosmembros importantes, como França e Alemanha, que dependem daenergia russa, prefere um tom mais ameno. Mas Carmen Romero, porta-voz da Otan, negou que hajadivisões e afirmou que haverá uma "mensagem forte" para que aRússia implemente o cessar-fogo, retire tropas e aceite omonitoramento internacional. Ela disse que a nota conterá "uma claríssima mensagem desolidariedade à Geórgia", reiterando a promessa de adesão, eque a Otan deve se oferecer também para avaliar danos àinfra-estrutura do país. Em represália à ação militar, Washington já excluiu Moscoudas discussões do G8 (grupo de países industrializados) e disseque sua participação em organismos internacionais como aOrganização Mundial do Comércio estava em risco. A Otan já excluiu um navio russo de um exercício conjuntocontra o terrorismo e não atendeu ao convite de Moscou para umareunião de emergência sobre a crise. Mas analistas dizem que isolar a Rússia não é viável,devido à importância de Moscou em questões como o acesso à Ásia(especialmente o Afeganistão) e a negociação contra osprogramas nucleares de Irã e Coréia do Norte. (Reportagem adicional de Pete Harrison e Carsten Lietz)

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