EUA reconhecem rebeldes líbios e visam liberação de recursos

Os Estados Unidos reconheceram nesta sexta-feira o Conselho Nacional de Transição (CNT) dos rebeldes líbios como um governo legítimo, um reforço diplomático que pode possibilitar a liberação de bilhões de dólares em bens congelados.

ANDREW QUINN, REUTERS

15 de julho de 2011 | 11h55

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que Washington vai reconhecer formalmente o conselho, sediado em Benghazi, enquanto não for possível estabelecer um governo interino plenamente representativo.

"Hoje o CNT ofereceu garantias importantes, incluindo a promessa de empreender um processo de reforma democrática que seja geográfica e politicamente inclusivo", disse Hillary em declarações previamente redigidas.

"Até que uma autoridade interina tome posse, os EUA vão reconhecer o CNT como a autoridade governante legítima da Líbia. Vamos tratar com eles nessa base", acrescentou.

O anúncio de Hillary foi feito no momento em que o Grupo de Contato da Líbia, reunido em Istambul, reconheceu formalmente a oposição como representante da população líbia, formalizando seu status diplomático de governo sucessor ao líder hostilizado Muammar Gaddafi.

Composto por mais de 30 governos e organizações internacionais e regionais, o grupo de contato também autorizou o enviado especial da ONU Abdul Elah Al-Khatib a apresentar termos para Gaddafi deixar o poder, em um pacote político que vai incluir um cessar-fogo para encerrar os combates na guerra civil.

Hillary disse que qualquer acordo a ser fechado "terá que envolver a saída de Gaddafi" do poder e o fim da violência.

"A população da Líbia está cada vez mais olhando para além de Gaddafi. Ela sabe, como todos nós sabemos, que não é mais questão de se Gaddafi vai deixar o poder, mas de quando", disse ela.

Autoridades norte-americanas disseram que a decisão de dar o reconhecimento diplomático formal ao CNT assinala um passo importante em direção ao desbloqueio de mais de 34 bilhões de dólares em ativos líbios nos Estados Unidos, mas avisaram que ainda pode levar tempo para que o dinheiro esteja disponível.

O presidente dos EUA, Barack Obama, assinou em 25 de fevereiro uma ordem executiva congelando os bens de Gaddafi, seus familiares e altos funcionários líbios, do governo líbio, do banco central e dos fundos soberanos do país.

A maior parte dos bens congelados é dinheiro líquido sob a forma de dinheiro vivo e títulos de crédito.

Autoridades norte-americanas se comprometeram a encontrar maneiras de liberar parte do dinheiro para o CNT, que, ao mesmo tempo em que assume mais responsabilidades de governo, vem ficando sem dinheiro para pagar salários e serviços básicos.

As discussões com o Congresso sobre os mecanismos para a liberação do dinheiro esbarram em questões legais complicadas, algumas das quais podem ser eliminadas pelo reconhecimento do CNT como governo legítimo da Líbia.

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