EUA reforçam segurança após vazamento do WikiLeaks

A Casa Branca ordenou na segunda-feira maiores medidas de segurança para impedir vazamentos de documentos, como no caso dos 250 mil comunicados diplomáticos que vieram à tona causando constrangimento para o governo dos Estados Unidos e de alguns aliados seus.

JEREMY PELOFSKY E ROSS COLVIN, REUTERS

29 de novembro de 2010 | 17h33

Além disso, o Departamento de Justiça anunciou uma investigação criminal sobre o vazamento dos documentos sigilosos, que foram entregues pelo site WikiLeaks a cinco veículos de comunicação.

Entre as revelações nos documentos estava a de que o rei Abdullah, da Arábia Saudita, pediu repetidamente aos EUA que ataquem o programa nuclear do Irã. Segundo relato do jornal britânico Guardian, o rei pretendia "cortar a cabeça da serpente".

O The New York Times também citou comentários deselegantes a respeito de líderes estrangeiros, como ao comparar o presidente russo, Dmitry Medvedev, ao personagem Robin, o eterno coadjuvante do Batman, associado ao primeiro-ministro Vladimir Putin.

A Casa Branca, que criticou duramente a divulgação dos documentos e disse que ela pode ameaçar informantes nos EUA no exterior, ordenou às agências governamentais que reforcem os procedimentos para o trato de informações sigilosas.

Os novos procedimentos devem assegurar que "os usuários não tenham acesso mais amplo do que o necessário para fazer seu trabalho efetivamente".

A maioria dos documentos é de 2007 ou depois. Eles revelam, por exemplo, as suspeitas norte-americanas de que o Politburo chinês ordenou a invasão dos sistemas digitais do Google, como parte de uma sabotagem mais ampla, feita por agentes do governo, especialistas privados e bandidos da Internet, segundo o The New York Times.

Outra revelação citada pelo jornal é de que o Irã obteve mísseis sofisticados da Coreia do Norte, capazes de atingirem a Europa Ocidental, e que os EUA temem que Teerã os esteja usando para desenvolver mísseis de mais longo alcance.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse na segunda-feira que as relações do seu país com as nações vizinhas não serão afetadas pelas revelações do WikiLeaks, e que Washington organizou o vazamento para obter benefícios políticos.

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a revelação dos esforços diplomáticos dos EUA contra o programa nuclear iraniano comprova a tese israelense de que o Irã é a maior ameaça à paz na região.

(Reportagem de Ross Colvin e Jeremy Pelofsky em Washington; Allyn Fisher-Ilan em Jerusalém e Robin Pomeroy em Teerã)

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