EUA repassam dados obtidos no esconderijo de Bin Laden

Os Estados Unidos repassaram a outros governos informações obtidas no esconderijo onde Osama bin Laden foi morto no Paquistão, segundo fontes norte-americanas e ocidentais de contraterrorismo.

MARK HOSENBALL, REUTERS

11 de maio de 2011 | 20h52

Entre o material que está sendo mais atentamente observado está aquilo que um funcionário dos EUA qualificou de "manuscrito" atribuído ao próprio Bin Laden.

Sob anonimato, essa fonte disse que o material era um "diário de ideias" no qual o fundador da Al Qaeda refletia sobre táticas e alvos de possíveis atentados do grupo islâmico. Mas, segundo as fontes ouvidas pela Reuters, não há evidências de planos específicos ou iminentes contra alvos no Ocidente.

No entanto, o material encontrado na casa onde Bin Laden foi morto pode levar a "alguns ajustes" nas normas de segurança dos EUA e dos países que receberam essas informações, segundo uma fonte oficial ocidental, que também solicitou anonimato.

Os funcionários não especificaram quais governos tiveram acesso às informações, retiradas de computadores, pen-drives e outros equipamentos apreendidos pelas forças norte-americanas.

A julgar pelo que as fontes disseram, pelo menos um país da Europa Ocidental teve acesso ao material, que ainda estaria sendo submetido a análises mais aprofundadas.

Uma primeira avaliação do material, disseram as fontes, corrobora a impressão inicial dos EUA de que a casa de Bin Laden em Abbottabad servia como um importante posto de comando da Al Qaeda, e que o militante saudita continuava profundamente envolvido nas atividades da Al Qaeda, em vez de ser apenas uma figura protocolar dentro do grupo.

Autoridades dos EUA dizem que, pelas informações encontradas até agora, eventuais planos de atentados eram apenas "aspirações." O único complô específico divulgado ao público teria sido concebido em fevereiro de 2010, prevendo descarrilar trens no próximo dia 11 de setembro, quando se completarão dez anos do ataque da Al Qaeda com aviões sequestrados em Nova York e Washington.

Uma fonte dos EUA disse que as informações sobre esse plano vieram do diário manuscrito atribuído a Bin Laden, mas que não há sinais de que ele estivesse sendo efetivamente preparado. Por via das dúvidas, o Departamento de Segurança Doméstica dos EUA orientou as empresas ferroviárias a redobrarem a vigilância.

Na segunda-feira, o Departamento de Segurança Doméstica e o FBI divulgaram mais um "boletim conjunto de inteligência" alertando para o risco de que "agressores solitários" -- chamados informalmente também de "lobos solitários" -- possam usar pistolas ou bombas caseiras para vingar a morte de Bin Laden em "alvos acessíveis e de baixa segurança."

Autoridades dos EUA disseram que foi vista pelo menos uma declaração pública atribuída a um representante da Al Qaeda, pedindo a seus simpatizantes que tentem vingar a morte de Bin Laden. Mas as fontes dizem que o alerta contra os "lobos solitários" não parece derivar do material encontrado no esconderijo de Bin Laden.

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