EUA ressaltam via diplomática para solucionar conflito com Irã

O presidente dos EUA, GeorgeW. Bush, acredita que a questão atômica envolvendo o Irã podeser resolvida diplomaticamente em um processo envolvendoaliados dos norte-americanos, entre os quais Israel, afirmou naquarta-feira a Casa Branca. A postura do governo norte-americano veio a público depoisde o jornal The New York Times ter dito, na semana passada, queIsrael havia realizado exercícios militares preparando-se,supostamente, para atacar o Irã. O maior diplomata da União Européia (UE) também ressaltouos esforços de diálogo, afirmando que as potências ocidentaiscontinuariam com sua política dupla de impor sanções e realizarnegociações em torno do programa atômico do Irã, apesar de ogoverno iraniano ter dito que esses esforços poderiam ter oefeito contrário ao desejado. Questionado sobre se autoridades israelenses pressionavamos EUA a adotarem uma ação militar contra o Irã antes de Bushdeixar o cargo, Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, disseque os EUA e seus aliados, entre os quais Israel, desejavamsolucionar a questão pelas vias diplomáticas. "O presidente Bush acredita que podemos solucionar essaquestão diplomaticamente e que todos preferem solucionar aquestão diplomaticamente. E isso não apenas nos EUA, mas tambémno caso dos nossos aliados e, certamente, no caso de Israel",afirmou Perino. A disputa entre o Ocidente e o governo iraniano em torno doprograma nuclear deste último alimentou temores sobre umaconfrontação militar que poderia prejudicar o fornecimentomundial de petróleo. Na sexta-feira, o New York Times atribuiu a autoridadesnorte-americanas a informação de que Israel havia realizado umgrande exercício militar em meio a aparentes preparativos parabombardear as instalações nucleares do Irã. Israel, que seria o único país do Oriente Médio a possuirum arsenal nuclear, descreveu o programa nuclear iraniano comouma ameaça a sua existência. A Grã-Bretanha disse ao Irã que o país sofreria umcrescente isolamento econômico e diplomático se fizesse a"escolha errada" e se não atendesse às exigências daOrganização das Nações Unidas (ONU) sobre abrir mão da partemais delicada de seu programa atômico. Mas o governo iraniano continuava sem ceder no longoimpasse a respeito de seu programa, que afirma visarexclusivamente à geração de eletricidade. Potências ocidentais,de outro lado, desconfiam que o país islâmico esteja tentandodesenvolver armas nucleares. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou queseu país, quarto maior exportador de petróleo do mundo,retiraria seus bens da Europa devido às sanções cada vezmaiores impostas contra ele. Uma outra autoridade importante do Irã, o presidente doParlamento, Ali Larijani, avisou que o Ocidente corria riscosao "provocar" a República Islâmica. MEDIDAS PUNITIVAS Na terça-feira, o governo iraniano afirmou que as medidaspunitivas impostas nesta semana pelos 27 países-membros da UEpoderiam prejudicar os esforços diplomáticos realizados parasolucionar a disputa. Javier Solana, chefe da área de política externa do blocoeuropeu, entregou ao Irã, no dia 14 de junho, um pacote debenefícios elaborado pelos EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França,China e Alemanha com o intuito de convencer os iranianos aabrir mão do enriquecimento de urânio e colocar fim à disputa,responsável por alimentar a alta do petróleo. Na quarta-feira, Solana disse à Reuters que o Irã ainda nãohavia respondido ao pacote de incentivos. O enriquecimento deurânio pode produzir tanto combustível para usinas nuclearesquanto material apto a ser usado na fabricação de bombasatômicas. Solana afirmou esperar que uma resposta surja dentro embreve.

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