EUA retomam conversas sobre direitos humanos com a China

Os Estados Unidos foram cautelosos aoapoiar, na terça-feira, a retomada do diálogo sobre direitoshumanos com a China, congelado desde 2002. As conversas acontecem meses antes das Olimpíadas dePequim, em agosto, e semanas depois dos violentos combates noTibete e da consequente repressão que gerou críticas dacomunidade internacional. Mas uma importante autoridade norte-americana se mostroupreocupada com os relatos de que autoridades chinesas tenhamordenado a ativistas que não falem com representantes dosEstados Unidos durante o encontro, que durará dois dias, emPequim. David Cramer, secretário assistente de Estado para aDemocracia, Diretos Humanos e Trabalho, disse a repórteres queestava preocupado com a "informação de que as pessoas...ficariam em prisão domiciliar e não participariam dos encontrosconosco". "Entramos em contato com as autoridades chinesas e pedimospara que elas avaliem estas informações", disse Kramer naterça-feira. A China deteve vários dissidentes importantes às vésperasdas Olimpíadas, incluindo o ativista anti-Aids Hu Jia, preso nomês passado por incitar a subversão. A China desistiu dos encontros em 2004, depois queWashington pediu a um órgão da ONU que condenasse o abandonodos direitos humanos por parte do Estado chinês, mas, emfevereiro, concordou em retomar o diálogo. "Os direitos humanos são uma fonte de tensão em nossorelacionamento e queremos transformá-los em um fator positivo",disse Kramer. Ele declarou ter se sentido encorajado pela atençãodemonstrada pelas autoridades chinesas nas conversas destasemana, mas que ainda é muito cedo para saber se elas seráobem-sucedidas. Kramer afirmou que os norte-americanos discutiram váriasquestões delicadas com os colegas chineses. "Pedimos maisinformações sobre o número de detidos (no Tibete) e onde elesestão e... os problemas enfrentados pelos advogados que seofereceram para representar os detidos, incluindo a ameaça derevogação de suas licenças", disse Kramer. As autoridades norte-americanas também pediram para que aChina continue a conversar com o Dalai Lama. (Reportagem de Iam Ransom)

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