EUA revogam proibição de perfuração em águas profundas

O governo dos EUA revogou na terça-feira a proibição da perfuração de poços petrolíferos em águas profundas, sete semanas antes do previsto, argumentando que regras recém-adotadas reduzem significativamente o risco de um novo vazamento como o que ocorreu neste ano num poço da BP no golfo do México.

TOM DOGGETT E AYESHA RASCOE, REUTERS

12 de outubro de 2010 | 17h04

Mas a retomada da perfuração em águas profundas deve demorar, já que as empresas do setor precisarão cumprir o novo marco regulatório e demonstrar que são capazes de reagir adequadamente a eventuais acidentes, segundo as autoridades.

"O setor de gás e petróleo irá operar sob regras mais rígidas, maior supervisão, e num ambiente regulatório que irá permanecer dinâmico enquanto continuarmos a ampliar as reformas que já implementamos," disse em nota o secretário do Interior, Ken Salazar.

A proibição foi revogada a três semanas da eleição parlamentar nos EUA, em que o Partido Democrata está ameaçado de perder sua maioria na Câmara e no Senado, em meio a uma forte preocupação do eleitorado com questões de emprego e economia.

O veto às perfurações havia motivado protestos de parlamentares de Estados próximos do golfo do México, além de uma contestação judicial por parte de empresas que se queixavam de que a medida causaria cortes de empregos e redução das atividades num setor com um histórico de segurança relativamente bom.

A revogação da proibição será uma boa notícia para empresas de perfuração, como a Transocean, e exploração de petróleo, como a Royal Dutch Shell. Mas analistas alertam que irá levar meses ou anos para que o setor volte ao mesmo ritmo em que vinha antes do acidente no poço Macondo, em 20 de abril.

Mesmo assim, as ações de empresas ligadas à prospecção de petróleo tiveram alta. Os papéis da Transocean nos EUA subiram quase 4 por cento e as ações da Diamond Offshore registraram alta de quase 3 por cento na Bolsa de Nova York.

Os novos procedimentos e os controles mais rigorosos exigidos pelo Departamento do Interior irão aumentar os custos e causar mais demora no desenvolvimento de uma região promissora para a ampliação da produção interna de petróleo nos EUA.

Empresas especializadas na perfuração em águas não-profundas, que não haviam sido afetadas pela proibição, se queixavam da demora nas autorizações desde o acidente da BP, o que na prática estaria significando uma moratória de todas as perfurações.

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