EUA suspendem programa voltado a imagem positiva do Iraque

Desde 2002, Pentágono informava analistas sobre guerra para gerar uma cobertura propícia aos EUA na imprensa

29 de abril de 2008 | 01h08

O Pentágono suspendeu o programa pelo qual fornecia informação sobre o Iraque a militares aposentados que, depois, apareciam em veículos de comunicação como analistas para dar uma imagem positiva da guerra. O porta-voz do Departamento de Defesa americano, Bryan Whitman, qualificou nesta segunda-feira, 28, a suspensão do polêmico programa de "temporária" para que o Pentágono possa revisar sua aplicação e determinar se violava ou não as normas internas. O programa foi administrado pelo escritório de Relações Públicas do Departamento de Defesa que será investigado também, segundo Whitman, que acredita que nenhuma lei foi violada.  A suspensão do programa ocorre uma semana depois que o jornal "The New York Times" revelou que o Pentágono "cultivou" desde 2002 várias dúzias de analistas em matéria de defesa para gerar, através de uma campanha de persuasão, uma cobertura "propícia" à Guerra do Iraque na imprensa. Os militares aposentados apareceram em "dezenas de milhares" de ocasiões na televisão e na rádio, onde falaram favoravelmente sobre Iraque, Afeganistão e a luta antiterrorista em geral. Por causa da notícia publicada no "New York Times", vários congressistas democratas expressaram sua irritação com o programa e exigiram que o Pentágono o investigue. O ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld começou em 2003 a fornecer informação a militares aposentados, pouco antes da invasão do Iraque. O jornal nova-iorquino afirmou que o Governo do presidente americano, George W. Bush, usou os analistas como uma espécie de cavalo de Tróia na imprensa, um instrumento para moldar a cobertura midiática da luta antiterrorista. Segundo o "NYT", os analistas, muitos deles relacionados com militares de empresas terceirizadas, receberam "centenas" de reuniões informativas privadas com autoridades do Ministério de Defesa e tiveram acesso à informação classificada em viagens pagas pelo Pentágono ao Iraque e à base naval de Guantánamo, em Cuba. Muitos dos analistas utilizados como "mensageiros" pelo governo têm vínculos com as mais influentes empresas de defesa no país e representam mais de 150 militares de companhias terceirizados, seja em qualidade de consultores, executivos, ou membros de suas juntas diretivas, segundo o jornal.

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