EUA temem que Síria esteja planejando massacre em Aleppo

Os Estados Unidos disseram nesta quinta-feira que forças leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad, parecem estar se "alinhando" para um massacre na cidade de Aleppo, mas voltaram a descartar uma intervenção militar no conflito.

ANDREW QUINN, Reuters

26 de julho de 2012 | 17h49

O Departamento de Estado afirmou ter relatos confiáveis de que as colunas de tanques se dirigindo a Aleppo, junto com bombardeios realizados por helicópteros e aviões, representam uma séria escalada na repressão do governo à rebelião armada.

"Essa é a preocupação, que vejamos um massacre em Aleppo, e é para isso que o governo parece estar se alinhando", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

"Nossos corações estão com o povo de Aleppo, e novamente essa é mais uma tentativa desesperada de um regime que está caindo de manter o controle, e estamos enormemente preocupados com o que eles são capazes em Aleppo."

A cidade, com mais de 2 milhões de habitantes, é a segunda maior da Síria e seu principal polo comercial.

Os intensos combates ao redor de Aleppo e na capital, Damasco, marcam uma nova fase no conflito iniciado há 16 meses na Síria. O governo intensificou sua reação aos insurgentes depois de um atentado que matou quatro membros do primeiro escalão do regime de Assad, na semana passada.

Assad preserva o apoio de dois aliados internacionais importantes, a Rússia e a China, que na semana passada vetaram pela terceira vez uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que abriria o caminho para sanções duras contra o governo sírio.

Irritados com o novo veto, os Estados Unidos teriam ampliado sua assistência à dividida oposição síria, embora Washington garanta que a ajuda se limita a formas não-letais, como equipamentos de comunicação e equipamentos médicos.

"Continuamos trabalhando com outras nações e com os Amigos da Síria além de outros parceiros internacionais para fornecermos assistência humanitária ao povo sírio", disse nesta quinta-feira o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, acrescentando que os Estados Unidos também podem prestar "assistência administrativa" à oposição síria.

Nuland afirmou que, apesar do avanço da violência, o governo Obama não cogita suspender seu autoimposto veto à ajuda militar direta.

"Não acreditamos que jogar mais lenha na fogueira irá salvar vidas", disse Nuland. "O caminho para sair disso não é mais violência ... é o fim da violência e o começo de um real processo de transição política."

Ela também rejeitou as comparações entre Aleppo e Benghazi, na Líbia, onde a ameaça de um massacre pelas forças de Muammar Gaddafi, em 2011, levou o Conselho de Segurança da ONU a autorizar uma ação militar para proteger os civis, e que acabou sendo decisiva para derrubar aquele regime líbio.

"Há um vasto número de diferenças", disse ela, citando a falta de mandato da ONU, o terreno mais difícil e a ausência de um apelo direto por ajuda vindo de uma oposição unificada.

"A vasta maioria dos sírios quer que a violência acabe. Eles não querem uma violência maior. O tipo de apelo espontâneo por apoio externo que vimos em outros lugares não está lá."

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed e Matt Spetalnick)

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