EUA usaram técnicas de tortura contra supostos terroristas

Estudo da ONG de Direitos Humanos afirma que prisões mantidas por americanos deixam detentos com seqüelas

Agência Estado e Associated Press,

18 de junho de 2008 | 11h01

Ex-detentos de prisões militares mantidas pelos Estados Unidos no Iraque e na Baía de Guantánamo estão sofrendo de estresse pós-traumático, aponta um relatório divulgado nesta quarta-feira, 18, pelo grupo Physicians for Human Rights (Médicos pelos Direitos Humanos). Além disso, os ex-prisioneiros apresentam problemas físicos que podem ser relacionados ao aprisionamento.   Um prisioneiro iraquiano identificado apenas como Yasser afirmou ter levado choques elétricos em três ocasiões e ter sido sodomizado com um bastão. Seus polegares apresentam cicatrizes arredondadas que poderiam indicar choques, segundo o documento do grupo de defesa dos direitos humanos.   Outro iraquiano, Rahman, relatou que foi humilhado e forçado a vestir roupas íntimas femininas, despir-se e desfilar diante de mulheres que trabalhavam como guardas. Posteriormente, foram mostradas imagens dele nu para os outros detentos. Um exame psicológico comprovou que Rahman sofre de estresse pós-traumático e tem problemas sexuais relacionados a essa humilhação, indicou o trabalho.   "Alguns desses homens realmente estão, muitos anos depois, com sérias seqüelas", afirmou Barry Rosenfeld, professor de psicologia na Universidade Fordham. Rosenfeld analisou seis dos 11 detentos discutidos no estudo do Physicians for Human Rights. "É um testemunho de quão ruins essas condições foram e de quão pessoal foi o abuso."   Todos esses prisioneiros foram liberados sem acusações. Ou foram considerados inocentes ou haviam cometidos delitos leves demais para se justificar uma detenção militar. O grupo aponta ter encontrado evidências de tortura e crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos. Além disso, alguns dos profissionais de saúde militares do país teriam permitido o abuso de detentos, negando cuidados médicos e fornecendo informações confidenciais aos interrogadores, que as exploravam.   O Physicians for Human Rights é um grupo sediado em Cambridge, no Estado americano de Massachusetts. O documento divulgado pela entidade é o mais abrangente trabalho médico sobre os ex-detentos publicado até o momento, ligando as histórias de abusos aos problemas físicos e psicológicos das vítimas.   Recentemente, a Comissão de Forças Armados do Senado dos EUA revelou documentos que mostram advogados advertindo o Pentágono. Esses apontavam que alguns dos métodos usados para interrogar e manter os detentos presos violavam as leis militares, do país e internacionais. As objeções foram desqualificadas pelo principal advogado do Pentágono, que havia alegado desconhecer essas críticas.   O presidente George W. Bush disse, em 2004, que os abusos nas prisões haviam sido trabalho de "poucas tropas americanas que desonraram o país". Bush e outros funcionários de sua administração em vários momentos negaram a existência de torturas praticadas pelos EUA.   Sete dos detentos pesquisados foram mantidos em Abu Ghraib, no Iraque, entre o fim de 2003 e 2004 - período que coincide com os conhecidos abusos realizados pelos carcereiros no local. Os outros quatro ficaram na prisão da Baía de Guantánamo, Cuba, desde 2002, por períodos de um a cinco anos.

Mais conteúdo sobre:
EUAprisões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.