EUA vão armar aliados no Oriente Médio para fazer frente ao Irã

Governo vai propor na próxima semana, ao Congresso, a venda de armas à Arábia Saudita e a mais cinco países

Efe

28 Julho 2007 | 10h01

O governo do presidente George W. Bush está disposto a entregar grandes cargas de armamento avançado a seus aliados no Oriente Médio, inclusive a Arábia Saudita, para fazer frente ao crescente poderio militar do regime xiita no Irã, segundo os jornais The New York Times e Washington Post.   Citando "funcionários de alto nível", os dois jornais afirmaram neste sábado, 28, que o governo vai propor na próxima semana ao Congresso a venda de armas à Arábia Saudita e outros cinco países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, no valor de US$ 20 bilhões.   Ao mesmo tempo, segundo o Washington Post, a ajuda militar a Israel e Egito aumentará nos próximos 10 anos, chegando a US$ 30,4 bilhões para Israel e US$ 13 bilhões para o Egito.   O New York Times disse que o valor da ajuda militar proposta para Israel supera em US$ 9,1 bilhões (43%) o da última década.   Um "alto funcionário" explicou ao jornal que era preciso substituir o material bélico gasto no conflito contra o Hezbollah, há um ano, no sul do Líbano. Além disso, Israel precisa manter a vantagem em armamento avançado sobre seus vizinhos.   As fontes dos dois jornais afirmaram que o propósito geral da iniciativa era resistir ao poder e à influência do Irã no Oriente Médio.Os funcionários consultados pelo Post disseram que "o fim comum dos acordos de ajuda militar e das vendas de armas é reforçar os países pró-ocidentais contra o Irã, num momento em que o regime de linha dura iraniano procura estender seu poder".     Capacidade Militar   Para evitar o início de uma corrida armamentista no Oriente Médio, funcionários dos departamentos de Estado e de Defesa insistiram, em declarações ao Times, que "o acordo sobre armas em grande medida é uma resposta à melhora na capacidade militar do Irã e ao seu programa nuclear".   As propostas serão anunciadas na segunda-feira, segundo o Washington Post. No mesmo dia, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o secretário de Defesa, Robert Gates, iniciarão uma visita de três dias à região.   Além da Arábia Saudita, as ofertas de armas poderão beneficiar Barein, Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos. Os EUA vão oferecer principalmente sistemas de defesa aérea e antimísseis, e equipamentos mais avançados para as Marinhas e Forças Aéreas, segundo o New York Times.   O jornal informou ainda que Israel pediu aos EUA que não vendam à Arábia Saudita bombas guiadas por satélite, que poderiam ser lançadas contra o território israelense. Em resposta, Washington prometeu impor a Riad restrições sobre o posicionamento das armas guiadas por satélite.   A iniciativa, segundo os analistas dos dois jornais, será polêmica. A previsão é de resistências no Congresso. O argumento da Casa Branca será de que muitos países árabes já estão negociando com outros possíveis fornecedores.

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