EUA vêem ano instável para governo do Iraque

O governo do Iraque ficará maisinstável nos próximos 6 a 12 meses, enquanto a segurança vaimelhorar modestamente, apesar de a violência sectáriapermanecer elevada, disseram agências de inteligência dosEstados Unidos na quinta-feira. Parte da Estimativa de Inteligência Nacional tornadapública afirma que houve "melhorias mensuráveis, mas desiguais"na segurança do Iraque desde janeiro, quando o presidenteGeorge W. Bush determinou o envio de tropas adicionais. Líderes políticos norte-americanos vêm cobrando maisrealizações do primeiro-ministro Nuri Al Maliki. A impopularguerra do Iraque deve ser um dos principais temas das eleiçõespresidenciais de 2008 nos EUA. Os pré-candidatos democratas emesmo alguns republicanos propõem desocupar o país. O relatório põe em dúvida a capacidade de Maliki pararesolver as divisões sectárias, um dos itens cobrados pelosEUA. "Acordos políticos amplamente aceitos necessários para asegurança sustentada, para o progresso político de longo prazoe para o desenvolvimento econômico dificilmente surgirão casonão haja uma mudança fundamental nos fatores que guiam os fatospolíticos e de segurança no Iraque", diz o documento. O Gabinete de Inteligência Nacional divulgou o relatórionuma semana em que Bush deu a entender que seu apoio a Malikiestava se esgotando, mas se retratou no dia seguinte. Em meados de setembro, o comandante militar dos EUA noIraque, general David Petraeus, e o embaixador em Bagdá, RyanCrocker, entregam um relatório considerado essencial na decisãode manter ou retirar as forças do Iraque. O relatório de inteligência diz que as críticas de algumasfacções do governo, inclusive da maioria xiita, além de curdose árabes sunitas, vão agravar as incertezas sobre o governoMaliki. "O governo iraquiano vai se tornar mais instável ao longodos próximos 6-12 meses", afirma o relatório, segundo o qual apresença militar contribuirá para uma melhora modesta nasegurança, embora "os níveis de violência insurgente e sectáriapermanecerão elevados e o governo iraquiano vai continuarlutando para alcançar a reconciliação política em nívelnacional e uma melhor governabilidade". As críticas a Maliki dentro do governo Bush vêm se tornandomais abertas nos últimos meses. Em novembro, um relatório doassessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley,dizia que o primeiro-ministro parecia ser "ou ignorante do queestá acontecendo, ou representando mal suas intenções, ou quesuas capacidades ainda não são suficientes para transformarsuas boas intenções em ações". Na terça-feira, Bush manifestou frustração com a liderançairaquiana, mas na quarta disse que Maliki é "um bom homem comum trabalho difícil". Também a oposição democrata faz críticas aoprimeiro-ministro iraquiano, que nesta semana reagiu, dizendoque ninguém de fora do Iraque tinha o direito de impor prazospara o progresso.

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