EUA veem Irã dividido por sanções;acham que ataque uniria o país

As sanções contra o Irã estão surtindo efeito e têm provocado divisões na liderança do país, disse nesta terça-feira o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, ao argumentar contra um ataque militar por conta do programa nuclear de Teerã.

PHIL STEWART, REUTERS

16 de novembro de 2010 | 15h20

O Irã concordou na semana passada com um encontro com um representante das seis grandes potências pela primeira vez em mais de um ano para debater sobre sua iniciativa de enriquecer urânio. Diplomatas e analistas, porém, vêem poucas chances de avanço com relação à disputa.

Gates afirmou, no entanto, perceber ter poucas alternativas para seguir com uma estratégia política que inclua sanções e reiterou que um ataque militar apenas adiaria a capacitação nuclear pelo Irã em dois ou três anos.

Ele acrescentou que as sanções "afetaram de forma muito mais dura do que o antecipado (pela liderança iraniana)" e sugeriu que o presidente Mahmoud Ahmadinejad está cada vez mais em desacordo com o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.

"Temos até mesmo evidências de que Khamenei, agora, começa a se perguntar se Ahmadinejad está mentindo para ele sobre o impacto das sanções sobre a economia. E se ele está obtendo as informações corretas em termos de quão problemática está a economia", disse Gates ao Conselho de CEOs do Wall Street Journal em Washington.

O Ocidente acredita que o Irã tem como objetivo usar o programa de enriquecimento de urânio para fabricar armas atômicas, o que o Irã nega. Tanto Israel como os EUA afirmam que todas as opções permanecem sobre a mesa no que tange lidar com as ambições nucleares do país.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, endureceu sua retórica na semana passada convocando o Ocidente a convencer o Irã de que estaria disposto a desferir uma ação militar a fim de evitar que Teerã produza armas nucleares. Ele afirmou que até agora as sanções econômicas fracassaram.

Gates tem discordado publicamente de Netanyahu sobre a necessidade de impor uma ameaça militar.

Embora ele tenha admitido na terça-feira que os líderes iranianos "ainda tenham a intenção de adquirir armas nucleares," ele afirmou que uma ação militar não é uma resposta para o longo prazo.

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