EUA voltam a acusar Irã de apoiar milícias no Iraque

Os Estados Unidos aproveitaram uma reunião com o Irã na terça-feira para novamente acusar o país de apoiar milícias no Iraque, mas, num raro sinal de cooperação, os dois países concordaram em criar uma comissão que tentará melhorar a segurança iraquiana. Em sua segunda rodada de negociações sobre o Iraque neste ano depois de um longo congelamento diplomático, o embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, disse ter também citado no encontro a suspeita de que Teerã apóia outros grupos radicais no Oriente Médio, como Hamas e Hezbollah. O Irã, disse o norte-americano, rejeitou todas as acusações. "Manifestamos preocupações sobre as atividades iranianas e o apoio a elementos de milícias violentas, por meio do armamento e do treinamento", disse ele após reunião com o embaixador iraniano em Bagdá, Hassan Kazemi-Qomi. "O fato é, e deixamos isso muito claro nas conversas de hoje, que durante quase dois meses temos realmente visto atividades relativas a milícias que podem ser atribuídas ao apoio iraniano subir ao invés de cair", afirmou. De acordo com Crocker, o Irã aceitou em princípio participar de um novo sub-comitê trilateral que investigará questões como o apoio a milícias extremistas e à Al Qaeda no Iraque. Os detalhes serão resolvidos nos próximos dias, segundo o diplomata. "Eles mantêm que levam a sério a assistência ao Iraque para melhorar a segurança e a estabilidade, então a oportunidade está na frente deles. Vamos medir isso por meio de ações no terreno", disse Crocker a jornalistas por telefone. Diante de novas pesquisas de opinião mostrando a rejeição dos norte-americanos à guerra, o presidente George W. Bush reforçou na terça-feira sua tentativa de vincular a guerra no Iraque ao conflito contra a Al Qaeda. "A Al Qaeda no Iraque é um grupo financiado por terroristas estrangeiros, liderado em grande parte por terroristas estrangeiros e leais a um líder terrorista estrangeiro: Osama bin Laden", disse Bush a uma platéia numa base aérea da Carolina do Sul. No Iraque, um suicida ao volante de um carro-bomba matou 26 pessoas e feriu 70 na terça-feira num mercado lotado perto de uma maternidade em Hilla, cidade xiita cem quilômetros ao sul de Bagdá, segundo a polícia. O Irã diz que a violência no Iraque é resultado da invasão norte-americana de 2003.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.