Ex-agente revela técnicas de tortura usadas pela CIA

Em entrevista, funcionário reconhece violência, mas diz que meios usados "provavelmente salvaram vidas"

Agências internacionais,

11 de dezembro de 2007 | 11h44

Um ex-agente da CIA que participou da prisão e do interrogatório do primeiro suspeito de terrorismo da Al-Qaeda revelou ao jornal americano Washington Post as técnicas de tortura utilizadas e afirmou que os meios usados pelo serviço de inteligência americana "provavelmente salvaram vidas", embora reconheça a agressividade dos métodos.   As declarações de Kiriakou surgem um dia antes de altos oficiais da CIA, incluindo o diretor da CIA, Michael Hayden, comparecerem diante do Congresso americano para explicar a decisão de destruir as gravações dos interrogatórios de Abu Zubaida e Abd al-Rahim al-Nashiri, outro representante importante da célula terrorista.   Zayn Abidin Muhammed Hussein abu Zubaida, o primeiro membro do alto-escalão da Al-Qaeda capiturado depois do 11 de setembro, forneceu informações importantes em menos de um minuto após ser submetido a técnicas de afogamento, dando detalhes de planos de ataque, segundo John Kiriakou, que trabalhou para a CIA em interrogatórios no Paquistão.   Abu Zubaida foi um dos detidos que tiveram os interrogatórios gravados e posteriormente destruídos. A CIA confirmou que destruiu pelo menos duas fitas de vídeo com o interrogatório de suspeitos de terrorismo. De acordo com a agência de inteligência americana, os registros foram destruídos para proteger a identidade de agentes e porque eles não tinham mais validade para as investigações. Porém, o material pode ter sido eliminado por exibir imagens de métodos severos de interrogatório.   Kiriakou afirmou que não testemunhou o afogamento de Abu Zubaida, mas fez parte da equipe que o interrogou em um hospital no Paquistão em 2002. O ex-agente descreveu o suspeito como alguém "ideologicamente entusiasmado, desafiador e pouco cooperativo" até as técnicas de interrogatório serem aplicadas.   O afogamento durou 35 segundos - até o suspeito desmaiar - e de acordo com Kiriakou, Abu Zubaida revelou no dia seguinte tudo o que era necessário. "Ele disse que Alá veio até ele em sua cela e pediu que ele cooperasse, porque tornaria as coisas mais fáceis para os seus irmãos", relatou.   As gravações foram destruídas apesar das ordens de juízes para que o governo preservasse registros relacionados aos programas de interrogatórios. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a CIA (a agência de inteligência americana) vão iniciar um inquérito preliminar em conjunto sobre o episódio.   Autoridades do Departamento de Justiça, advogados do conselho geral da CIA e o inspetor-geral da agência devem iniciar o inquérito no começo da semana. Líderes do Partido Democrata americano, de oposição ao presidente George W. Bush, também exigiram que fosse aberta uma investigação criminal sobre o episódio.

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