Ex-banqueiro ligado ao WikiLeaks é condenado por violar sigilo

Um ex-executivo bancário que publicou dados privados de clientes no WikiLeaks foi condenado na quarta-feira por violação de sigilo e por fazer ameaças a ex-colegas, mas a multa imposta a ele foi suspensa.

EMMA THOMASSON E ANDREW THOM, REUTERS

19 de janeiro de 2011 | 19h01

No entanto, o juiz Sebastian Aeppli absolveu Rudolf Elmer das acusações de que teria solicitado 50 mil dólares para devolver dados dos clientes ao banco Julius Baer, do qual foi demitido em 2002, e de que teria feito ameaças de explodir uma bomba na sede da instituição.

Há três anos, Elmer usou o então pouco conhecido WikiLeaks para publicar dados de clientes, e na segunda-feira voltou a fornecer informações ao site. O processo que tramitou na Suíça não dizia respeito a essas revelações.

No julgamento, ele admitiu que entregou dados do banco Julius Baer às autoridades tributárias suíças, mas negou ter chantageado ou feito ameaças de bomba à instituição. Afirmou também que nunca recebeu dinheiro em troca dos dados secretos.

O tribunal o sentenciou a uma pena de 7.200 francos (7.505 dólares), com sursis de dois anos. A promotoria pedia pena de oito meses de prisão e multa de 2.000 francos. As razões do sursis (suspensão da pena) não foram divulgadas -- constarão na sentença por escrito. A defesa tem dez dias para recorrer.

Elmer, de 55 anos, disse que divulgou os dados sigilosos porque queria revelar irregularidades que testemunhou na época em que foi gerente da filial do Julius Baer nas ilhas Cayman.

"Sou um crítico do sistema e quero dizer à sociedade o que acontece nesses oásis lamacentos", disse ele em entrevista coletiva antes do veredicto.

Ele alegava também que as rígidas leis suíças sobre sigilo bancário não se aplicavam nesses caso, já que as contas eram das ilhas Cayman.

Elmer disse que o Baer moveu uma campanha de "terror psicológico" contra ele e sua família, e lhe ofereceu 500 mil francos suíços por seu silêncio. Ele disse que nunca aceitou pagamentos em troca dos dados secretos.

Admitiu, no entanto, ter escrito emails anônimos em 2005, ameaçando enviar detalhes sobre clientes bancários às autoridades e à imprensa se o Baer não deixasse de cometer certas ações -- não especificadas -- contra seus funcionários.

"A situação era muito ameaçadora. Estávamos muito assustados e achei que o banco estava por trás disso. Por isso enviei os emails."

O banco Julius Baer diz que Elmer moveu "uma campanha de intimidação pessoal e vendetta" por causa da recusa da instituição financeira em lhe pagar compensações financeiras após sua demissão, em 2002. O banco nega que a filial das Cayman tenha sido usada para evasões fiscais.

A promotora do caso, Alexandra Bergmann, disse no tribunal que só depois de ser demitido o réu adotou a imagem de paladino da lisura financeira. "Enquanto ele trabalhava nas ilhas Cayman, ele não questionava tanto o sistema", afirmou.

Ganden Tethong Blattner, advogada de Elmer, disse que seu cliente e sua família pagaram um preço por se opor a um oponente poderoso.

"Esta é a história de um homem que descobriu malfeitos e esteve sob constante vigilância por mais de um ano. Essa grande pressão se destinava a silenciá-lo."

Cerca de uma dúzia de manifestantes ligados ao partido esquerdista Lista Alternativa fizeram um protesto em frente ao tribunal. "Querem enforcar Rudi, deixaram Kaspar fora do laço", dizia um cartaz, em referência a Kaspar Villiger, ex-presidente do banco UBS.

A Suíça no ano passado entregou aos EUA detalhes sobre 4.450 contas suspeitas do UBS, mas nenhum executivo do banco foi processado por irregularidades na Suíça.

(Reportagem adicional de Martin de Sa'Pinto)

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