Ex-diretor da CIA exige imunidade para depor no Congresso

Rodríguez foi convocado em dezembro para explicar a destruição de vídeos com interrogatórios de terroristas

Efe,

10 de janeiro de 2008 | 01h39

José Rodríguez, ex-diretor de Operações Clandestinas da CIA, não comparecerá à Câmara de Representantes dos Estados Unidos para depor sobre a destruição de vídeos em 2005 sem uma garantia de imunidade. Os advogados de Rodríguez apresentaram a exigência aos membros do Comitê de Inteligência da Câmara nesta quarta-feira, 9. Os legisladores haviam convocado o ex-diretor da CIA em dezembro. Eles querem uma explicação para a ordem de destruir as fitas de vídeo que mostravam os interrogatórios de dois supostos terroristas. Robert Bennett, um dos advogados de Rodríguez, disse aos legisladores que não deixará que seu cliente compareça ao Comitê de Inteligência devido à investigação criminal que o Departamento de Justiça abriu recentemente sobre o mesmo caso. A defesa baseia o seu argumento no fato de que sem uma garantia de imunidade tudo o que Rodríguez disser durante seu depoimento no Comitê poderá ser utilizado contra ele em um tribunal. O Comitê de Inteligência escreveu em meados de dezembro uma carta ao diretor da CIA, o general Michael Hayden, pedindo que Rodríguez, que ainda faz parte da agência, compareça a uma audiência na investigação aberta no Congresso sobre a destruição das fitas. A questão central do escândalo é descobrir se Rodríguez pediu e recebeu a permissão dos assessores jurídicos internos da agência para destruir os registros. No dia 6 de dezembro foi revelado que Hayden escreveu uma carta a empregados da CIA, dizendo que a agência destruiu vídeos de interrogatórios realizadas em 2002, por medo de que eles chegassem à opinião pública e comprometessem a identidade dos agentes. A CIA começou a gravar os interrogatórios como um "teste interno", depois de o presidente George W. Bush autorizar métodos mais severos para conseguir informação de supostos terroristas. Eles incluíram o "waterboarding", ou "afogamento simulado", segundo autoridades governamentais. As gravações de vídeo supostamente mostravam atos de tortura contra Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri, dois membros da Al-Qaeda.

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