Ex-diretores da CIA pedem a Obama que torturas não sejam investigadas

Os signatários da carta, que serviram tanto em administrações democratas como republicanas, acrescentam que essa investigação iniciada pelo Departamento de Justiça americano poderia igualmente inibir a Governos estrangeiros na cooperação com os EUA

EFE

19 de setembro de 2009 | 06h36

Sete ex-diretores da Agência Central de Inteligência (CIA) americana pediram ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que detenha as investigações sobre as torturas perpetradas por agentes da CIA durante o mandato de George W. Bush.

Os sete ex-máximos responsáveis da CIA, três deles sob o mandato do próprio George W. Bush, remeteram nesta sexta-feira uma carta a Obama na qual sustentam que as investigações poderiam desanimar aos agentes no emprego de táticas agressivas na obtenção de informação na luta contra o terrorismo.

Os signatários da carta, que serviram tanto em administrações democratas como republicanas, acrescentam que essa investigação iniciada pelo Departamento de Justiça americano poderia igualmente inibir a Governos estrangeiros na cooperação com os Estados Unidos.

Segundo o texto, publicado hoje na site da rede ABC, os ex-diretores da CIA afirmam que "a difusão de antigas operações de inteligência só pode ajudar à Al Qaeda a eludir à espionagem americana e a preparar futuras operações".

Michael Hayden, Porter Goos e George Tenet, que ocuparam o cargo com George W. Bush; John Deutch e James Woolsey, que trabalharam para Bil Clinton; William Webster, que desempenhou o cargo com George Bush; e James R. Schelesinger, que o fez com Richard Nixon, são os signatários da carta que até o momento não recebeu resposta.

Hoje, o jornal "The Washigton Post" informa em sua edição digital que o Departamento de Justiça americano se centrará em um muito limitado número de casos de abusos e torturas, incluído um no qual um prisioneiro afegão morreu em um centro secreto, segundo fontes conhecedoras do caso citadas pelo jornal.

Segundo o diário, um homem de 35 anos foi torturado no centro conhecido como Salt Pit, ao norte de Cabul, onde faleceu em novembro de 2002.

No entanto, o próprio secretário de Justiça americana, Eric Holder, afirmou há um mês que a reabertura de pesquisas fechadas pela Administração anterior não necessariamente significa que os responsáveis das torturas sejam incriminados.

Embora alguns relatórios referissem à existência de uma dezena de casos submetidos a revisão, uma fonte não identificada pelo rotativo revela que o número será muito menor.

Até o data só um ex-contratado pela Agência, David A. Passaro, foi declarado culpado pela morte do prisioneiro Abdul Wali, embora nunca foi acusado de assassinato mas de agressão.

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