Ex-funcionário do governo Bush admite uso de tortura

Antigo conselheiro chefe do Departamento de Estado diz que ex-presidente entrou em pânico após 11/9

Agências internacionais,

27 de março de 2009 | 16h38

Um ex-advogado do Departamento dos Estados norte-americano admitiu em entrevista nesta sexta-feira que a administração George W. Bush entrou em pânico depois dos atentados do 11 de setembro de 2001 e torturou prisioneiros. Quando presidente, Bush negou repetidas vezes qualquer tortura em seu governo. Mas Vijay Padmanabhan é pelo menos o segundo membro do governo já encerrado a publicamente descrever como tortura as chamadas "técnicas duras" usadas pelos EUA em interrogatórios.

 

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Padmanabhan era conselheiro chefe do Departamento de Estado para os casos envolvendo os detentos da Baía de Guantánamo. Segundo ele, era "tolice" da administração Bush afirmar que os detentos estavam fora do âmbito das leis norte-americanas e internacionais e também das Convenções de Genebra.

 

Guantánamo foi um dos piores exageros da administração Bush", afirmou ele em entrevista à Associated Press. Na semana passada, um relatório do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) detalhou a tortura praticada na prisão.

 

Segundo o texto, os prisioneiros disseram que eram levados "à beira da morte". O documento foi enviado pelo CICV ao governo americano, alertando sobre o tratamento dos detentos em prisões administradas pela CIA. Segundo o relatório, o tratamento era "cruel, desumano e degradante".

 

Os delegados da entidade mantiveram contato com os suspeitos quando eles foram transferidos para a prisão de Guantánamo. Segundo 14 deles, os prisioneiros foram espancados, submetidos a temperaturas extremas, privados de dormir e torturados com simulações de afogamento - durante as quais a cabeça dos suspeitos era colocada em baldes de água até que quase desmaiassem.

 

A tortura ainda incluía o choque da cabeça dos interrogados contra a parede, banhos gelados e músicas em níveis de volume insuportáveis. "Diariamente, uma corrente era colocada no meu pescoço e usada para jogar-me contra a parede", afirmou Walid bin Attash, um dos prisioneiros.

 

O CICV - que, em obediência a seu princípio de neutralidade, mantém esse tipo de documento sob sigilo - não desmentiu o relatório, que foi divulgado pelo jornal Washington Post, mas recusou-se a comentá-lo.

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