Ex-porta-voz acusa Bush de vender guerra como 'propaganda'

Scott McClellan diz em livro de memórias que o presidente 'minimizou principal motivo para a Guerra do Iraque'

Agências internacionais,

28 de maio de 2008 | 11h52

O ex-porta-voz da Casa Branca Scott McClellan afirmou que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vendeu a Guerra do Iraque como uma "propaganda". O secretário de imprensa da Casa Branca, que entre julho de 2003 e abril de 2006 defendeu as políticas do governo americano durante os primeiros anos da invasão americana, fez duras críticas a Bush em seu novo livro de memórias e que estará disponível na próxima semana nos EUA, segundo afirmou a CNN.  Na obra, intitulada What Happened Inside the Bush White House and Washington's Culture of Deception (O que aconteceu dentro da Casa Branca de Bush e a Cultura de Engano de Washington, em livre tradução), McClellan acusa o presidente americano de manipular "as fontes" para a opinião pública e minimizar "o principal motivo para a guerra". O modo como Bush tratou o tema do Iraque "quase garantiu que o uso da força se tornaria a única opção plausível", escreveu o ex-porta-voz. Os trechos foram divulgados nesta quarta-feira pelos jornais The New York Times e Washington Post. "No verão de 2002, os assessora de Bush lançaram uma campanha cuidadosamente orquestrada para vender agressivamente a guerra. Em uma época de campanha permanente, tudo se baseou em uma tentativa de manipulação das fontes de opinião publica para o presidente ter vantagem", escreve o ex-porta-voz. O autor afirma que Bush, citado no livro como alguém sincero e autêntico, foi "terrivelmente mal" assessorado. O ex-porta-voz admite ainda que algumas de suas declarações aos jornalistas durante as coletivas de imprensa na Casa Branca foram enganosas. Segundo o jornal El País, para muitos jornalistas, McClellan foi um dos assessores mais leais a Bush quando ele enfrentou os primeiros anos da invasão americana no Iraque e o desastre pelo furacão Katrina, que arrasou a costa do Golfo do México em 2005 e destruiu a cidade de Nova Orleans. Sobre a tempestade, o ex-porta-voz afirma que a reação do governo americano foi o "maior desastre" para a Presidência. Resposta de Washington A Casa Branca divulgou um comunicado sobre as acusações por intermédio da atual porta-voz, Dana Perino. "Scott, nós sabemos agora, está desapontado com sua experiência na Casa Branca", avaliou Dana. "Para aqueles que o apoiaram totalmente, durante e depois de ele ser o porta-voz, nós estamos perplexos. É triste - não é o Scott que nós conhecemos." Dana não esperava comentários do próprio presidente sobre o tema "Ele (Bush) tem problemas mais importantes do que perder tempo comentando livros de ex-funcionários." O livro será lançado em 1º de junho. McClellan descreve o ex-chefe como uma pessoa inteligente, agradável e hábil politicamente, mas incapaz de admitir erros. Bush "se convence a acreditar no que se encaixa em suas necessidades", acusa McClellan. Ele também culpa Bush por uma certa "falta de curiosidade."  (Matéria ampliada às 14h50)

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