Ex-porta-voz da Casa Branca se defende de críticas

Ex-secretário de Imprensa disse que o presidente admitiu ter autorizado vazamento do caso Valerie Plame

The New York Times,

29 de maio de 2008 | 19h02

O ex-secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan continuou insistindo nesta quinta-feira, 29, que a administração Bush manipulou dados para justificar a guerra no Iraque e respondeu ao coro de críticas que recebeu de outros ex-oficiais da administração Bush.   Veja também: Ex-porta-voz diz que Bush escondeu a verdade sobre Iraque   Em entrevista a um programa da rede de televisão NBC, McClellan afirmou que a administração Bush ignorou evidências que contradiziam as posições oficiais do governo sobre o Iraque, e criticou alguns dos conselheiros mais próximos de Bush.    Ele afirmou que o vice-presidente Dick Cheney "não serviu bem ao presidente de diversas maneiras". Ele contou que Cheney é conhecido como "homem mágico" na Casa Branca por causa de sua habilidade de "fazer com que as coisas aconteçam".    McClellan disse que a Secretária de Estado Condoleezza Rice não questiona o presidente e outros oficiais quando necessário. "Muitas vezes ela se acomoda com os pontos de vista do presidente" disse o ex-porta-voz, que ainda afirmou que Rice é muito submissa ao vice-presidente Dick Cheney e ao ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld.    O ex-porta-voz classificou George Bush como um "jogador determinado" e disse que o presidente "estava fortemente inclinado a fazer a Guerra no Iraque depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.   Respondendo aos críticos que disseram que ele deveria ter expressado suas objeções enquanto estava na Casa Branca, McClellan disse que não se manifestou no momento por causa de sua afeição pelo presidente e pelo respeito pelo grupo político de Bush. "Eu dei a eles o benefício da dúvida, como muitos americanos", disse ele. "As coisas foram terrivelmente mal no Iraque depois que eu saí da 'bolha da Casa Branca', onde as opiniões de fora não são consideradas normalmente".   No mesmo programa , Dan Bartlett, um ex-conselheiro do presidente Bush, tentou minimizar a participação de McClellan nos eventos que antecederam a invasão no Iraque, ressaltando que na época ele era o porta-voz da Presidência para assuntos internos.   O ex-porta-voz respondeu dizendo que participou de várias reuniões antes da guerra.   As declarações de McClellan foram dadas um dia depois que a Casa Branca tentou argumentar que suas acusações eram sensacionalismo para aumentar as vendas do livro que vai lançar na próxima semana.   Ainda nesta quinta-feira, Dana Perino, atual porta-voz da Casa Branca, foi perguntada por um repórter a bordo do avião presidencial de Bush sobre uma passagem do livro em que McClellan fala sobre a revelação de que a mulher de Joseph C. Wilson IV, Valerie, era uma agente da CIA.   Segundo o repórter, o livro conta que uma questão sobre o vazamento da identidade de Valerie Plame foi levantada para Bush enquanto ele entrava no avião presidencial. Depois disso, segundo McClellan, ele pessoalmente perguntou para o presidente se havia sido ele que havia autorizado o vazamento do nome da agente. Segundo a passagem do livro, Bush teria dito que sim.   Dana Perino respondeu à indagação dizendo. "Eu não sei. Eu não estava lá e não sei o contexto", completando que não tem informações de que Bush possa ter autorizado o vazamento do nome da agente da CIA.  

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