Ex-presos iraquianos processam empresas dos EUA por tortura

Quatro ex-detentos de Abu Ghraib denunciam maus tratos por companhias contratadas pelo governo americano

Reuters,

30 de junho de 2008 | 17h46

Quatro iraquianos estão processando empresas contratadas pelos Estados Unidos por tê-los torturado enquanto eles estavam detidos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Segundo os processos apresentados em cortes federais dos EUA nesta segunda-feira, 30, as empresas teriam violado as leis dos EUA em atos de tortura, crimes de guerra e conspiração civil.  Veja também:Exército americano faz autocrítica em relatório sobre o IraqueBush aprova US$ 162 bi para guerras no Iraque e AfeganistãoObama não irá diminuir gastos militares, diz assessorExército americano não tinha planos para pós-guerra no IraqueOcupação do Iraque   O escândalo sobre o tratamento dispensado aos prisioneiros de Abu Ghraib causou uma onda de protestos em todo mundo depois que imagens de abusos foram divulgadas em 2004. Os quatro ex-prisioneiros, que foram depois libertados sem condenações, descreveram as experiências dentro do centro de detenção à agência Reuters nesta segunda-feira em um hotel em Istambul, na Turquia. Segundo o relato, eles teriam sofrido torturas, choques elétricos e foram submetido a execuções simuladas. O fazendeiro Suhail Naim Abdullah Al-Shimari, de 49 anos, disse que ele foi encarcerado, ameaçado por cachorros e sofreu choques elétricos nos quatro anos em que esteve detido. Ele foi libertado em março sem qualquer acusação formal ou processo judicial. "Eu perdi minha casa, minha família ficou sem trabalho. Eu perdi quatro anos e meio da minha vida e tudo que eles fizeram foi pedir desculpas", disse ele à Reuters. Alguns soldados americanos foram condenados em cortes militares por causa de sua ligação com abusos físicos e humilhação sexual de detentos em Abu Ghraib. Os processos iniciados nesta segunda-feira são similares ao que foi iniciado em maio em uma corte federal de Los Angeles por outro ex-prisioneiro de Abu Ghraib, Emad Al-Janabi.  "Estes processos vão contribuir para a história real de Abu Ghraib. Estes homens inocentes foram torturados por empresas americanas que lucraram com seu sofrimento", disse Susan L. Burke, uma das advogadas dos ex-detentos. Os processos foram iniciados nos locais onde ficam as sedes das empresas, a CACI International INC, CACI Premier Technology, a L-3 Services Inc e três pessoas físicas. O primeiro foi iniciado em Seattle, Washington e outros serão propostos em Maryland, Ohio e Michigan. A CACI fornecia interrogadores em Abu Ghraib e a L-3 era quem contratava os tradutores da prisão.  Sa'adoom Ali Hameed Al-Ogaidi, um comerciante de 36 anos e pai de quatro filhos, declarou que sofreu abusos físicos e foi obrigado a ficar nu. "Em nossa cultura árabe, ser obrigado a ficar nu é uma das maiores violações. Isto fez com que eu me sentisse envergonhado e me deixou várias marcas", disse ele à agência. "O que eu espero é que os agressores sejam levada à justiça e punidos pelo que fizeram." De acordo com as denúncias, os funcionários das empresas contratadas participaram de abusos físicos e mentais contra os prisioneiros, destruíram documentos, não reportaram torturas e enganaram oficiais sobre a situação da prisão. A CACI International disse que as acusações são infundadas. "Estes últimos processos apenas repetem as acusações que apareceram há quatro anos", disse a empresa por e-mail à Reuters. "Estas alegações genéricas de abuso junto com relatos imaginários de conspiração não estão conectados com ninguém do pessoal da CACI".  A L-3 não se pronunciou até o momento.

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