Executivos de Wall Street são repreendidos no Congresso dos EUA

Executivos de Wall Street submeteram-se na quarta-feira a uma sessão de repreensão pública no Congresso, ao tentarem explicar como usaram 176 bilhões de dólares do pacote de resgate dos bancos sem que isso tivesse qualquer impacto notável sobre a anêmica economia. "A América não confia mais em vocês", disse o deputado democrata por Massachusetts Michael Capuano a oito presidentes-executivos de bancos durante audiência no Congresso. As declarações dos parlamentares refletiam a indignação popular com a crise, mas as perguntas foram corteses --ao contrário da audiência da semana passada, quando os mesmos parlamentares interrogaram ferozmente autoridades reguladoras a respeito do esquema financeiro fraudulento de Bernard Madoff. Os parlamentares querem saber o que os bancos fizeram com os recursos do plano de resgate, já que o setor de crédito vive uma crise que agravou a já deteriorada situação econômica. Os banqueiros garantiram aos parlamentares que os bilhões de dólares dos cofres públicos foram usados para estimular o crédito, e não para pagar executivos, lobistas ou dividendos de acionistas. Todos eles afirmaram que receberam salários de entre 600 mil e 1,5 milhão de dólares em 2008 e não receberam bônus. Todos, exceto um, disseram que as empresas em que trabalham são proprietárias ou alugaram aviões, o que levou o deputado democrata pela Califórnia Brad Sherman a aconselhar a venda das aeronaves. "Vocês deveriam vendê-las", afirmou. Questionados pelo deputado democrata por Nova York Gregory Meeks sobre se os norte-americanos merecem um pedido de desculpas pelos padrões de exigências para empréstimos que geraram a bolha de crédito, somente John Mack, do Morgan Stanley, respondeu. "Acho que a responsabilidade pesa sobre todo o setor, e eu lamento por isso", disse. Os executivos chegaram ao Congresso com um discurso contrito, respondendo educadamente às perguntas. "Eu me sinto mais como o cabo do universo, não como o capitão do universo neste momento," disse Karl Lewis, do Bank of America, quando duramente questionado pela deputada democrata Maxine Waters A audiência de quarta-feira vem um dia depois de o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, não conseguir animar os mercados ao anunciar seus planos de resgate financeiro. Como resultado, as ações despencaram. (Reportagem de Steve Holland e Kevin Drawbaugh)

STEVE HOLLAND E KEVIN DRAWBAUGH, REUTERS

11 de fevereiro de 2009 | 20h13

Tudo o que sabemos sobre:
EUAWALLSTCONGRESSO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.