Exército americano faz autocrítica em relatório sobre o Iraque

Informe das Forças Armadas aponta que falta de soldados e caos não previsto causaram falhas na invasão

Agências internacionais,

30 de junho de 2008 | 17h30

Um relatório sobre a guerra do Iraque indica que os chefes militares cometeram erro após erro nos primeiros meses do conflito. De acordo com a rede CNN, as falhas na percepção do caos que tomou conta do país e a falta de tropas para restaurar a ordem após a invasão de 20003 foram apontadas por um documento do próprio Exército, citado pela emissora nesta segunda-feira, 30.   Veja também: Bush aprova US$ 162 bi para guerras no Iraque e Afeganistão Obama não irá diminuir gastos militares, diz assessor Exército americano não tinha planos para pós-guerra no Iraque Ocupação do Iraque    Opiniões dos funcionários americanos que serviram no país até janeiro de 2005 revelam que haviam preocupações com as decisões que estavam sendo tomadas pelas forças de coalizão lideradas pelos Estados Unidos. "Eu enlouqueci", afirmou o general Jack Keane, então vice-chefe da equipe americana, sobre sua decisão em junho de 2003 de transferir o controle de todas as forças de coalizão para longe do comando que estava sendo preparado para a missão.   Relatando a conversa com o general John Abizaid, que sucedeu o comandante da invasão, o general Tommy Franks, disse: "Jesus Cristo, John, isso é a fórmula de um desastre. Nós investimos nesses escritórios, temos experiência neles", informa a CNN.   O documento de 720 páginas compilado pelo Instituto de Estudos de Combates do Kansas detalha o resultado de ter poucas forças de coalização no território quando a realidade após a queda do governo de Bagdá estava em "extremo desacordo" com as condições previstas.   Experiências anteriores "deveriam ter indicado que mais soldados seriam necessários para a era pós-Saddam no Iraque", escreveram historiadores no reporte, intitulado 'Ponto II: Transição Para uma Nova Campanha'. "A incapacidade da coalização de prevenir saques, proteger as fronteiras do Iraque e guardar o vasto número de munição nos primeiros meses depois da queda de Saddam apontam a carência", diz o estudo, de acordo com a CNN.   Cerca de 150 mil soldados americanos e aliados estavam no Iraque após a invasão, enquanto os planejadores da guerra assumiam que o governo do Iraque deveria se manter funcional após a expulsão de Saddam de poder, para não haver revoltas da população.

Mais conteúdo sobre:
IraqueEUAinvasão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.