Ron Sachs/Efe
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Expectativas altas prejudicam 1º ano de Obama, dizem analistas

Entre as promessas feitas por democrata na campanha, poucas se desenvolveram de forma satisfatória em 2009

João Coscelli, do estadao.com.br,

16 de janeiro de 2010 | 19h21

O presidente dos EUA, Barack Obama, completa no próximo dia 20 o primeiro dos seus quatro anos de mandato. O 44º mandatário americano, porém, esteve abaixo das expectativas tanto dos americanos quanto da comunidade internacional neste período e não cumpriu as principais promessas feitas durante sua campanha, dizem especialistas.

 

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Para Sean Purdy, professor de História dos Estados Unidos da Universidade de São Paulo (USP), a decepção em torno das decisões de Obama em seu primeiro ano se devem à imagem que o presidente construiu durante sua campanha. "Ele construiu uma imagem de esperança e atraiu muitas pessoas prometendo mudanças, mas não conseguiu realizá-las", argumenta o professor.

 

Entre as promessas feitas por Obama em sua campanha, poucas se desenvolveram de forma satisfatória em 2009. A reforma no sistema de saúde, prioridade doméstica de seu governo, ainda tramita nas casas legislativas americanas e só foi previamente aprovada após algumas concessões.

 

O fechamento da prisão de Guantánamo, marcado para o aniversário de posse do presidente, não ocorrerá, e o envio de mais soldados ao Afeganistão significou investimentos em uma guerra cada vez menos apoiada pela população, segundo apontam as pesquisas. Apenas na questão da Guerra do Iraque Obama realizou seus planos de acordo com o previsto ao iniciar a retirada das tropas no final de agosto.

 

Para Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Obama acertou em estender a mão a outras nações e recuperar a credibilidade dos EUA frente à comunidade internacional, mas pecou em deixar este trabalho incompleto. "Ele apresentou propostas de mudanças, mas deve realizá-las. Precisa ser o Obama que ele foi durante a campanha, mas dessa vez como líder e retomar sua agenda", diz.

 

Purdy aponta a recessão econômica como outro desafio que Obama ainda não venceu e atribui a esse aspecto a queda de popularidade enfrentada pelo presidente em seu primeiro ano no poder. "A queda na popularidade de Obama significa que nada mudou. A situação econômica da classe trabalhadora ainda é muito grave, as famílias não conseguem quitar suas dívidas. Se nada disso muda, a lua de mel entre ele e a população vai acabar", prevê o professor.

 

A reforma no sistema de saúde, porém, é apontado por ambos os professores como a grande decepção no primeiro ano de Obama. Segundo Cristina, durante os três primeiros meses a estratégia adotada de avançar com o projeto foi correta, mas posteriormente "Obama e sua equipe perderam o timing" por conta das pressões dos republicanos. Purdy também afirma que as concessões feitas para que o projeto de reforma passasse pela oposição desgastou sua imagem com seus eleitores e que sua gestão sobre a saúde pública foi "desastrosa".

 

2010

 

A professora da Unesp acredita que este ano será fundamental para que Obama continue com sua agenda de mudanças. "Haverá eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, algo em que os republicanos já estão trabalhando há algum tempo. As eleições serão a peça-chave para os democratas recuperarem o terreno", diz Cristina.

 

Já o professor Purdy aposta na própria população como o fator que provocará as mudanças tão prometidas pelo presidente. "Se continuarem os cortes de empregos e serviços, haverá alguma reação que poderá vir até mesmo dos republicanos, mas será a pressão da população que provocará mudanças. Do contrário, Obama ficará marcado como um presidente que não faz nada de diferente", avalia o professor da USP.

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