Extradição de militantes pode criar problemas para Obama

A iminente extradição de cinco militantes islâmicos da Grã-Bretanha para os Estados Unidos pode gerar problemas políticos e de segurança para o presidente Barack Obama.

MARK HOSENBALL, Reuters

05 de outubro de 2012 | 19h41

Após anos de recursos, dois juízes britânicos deram na sexta-feira a autorização definitiva para a extradição dos militantes, com a condição de que sejam julgados em tribunais civis dos EUA, e que não possam ser condenados à morte.

Dean Boyd, porta-voz do Departamento de Justiça dos EUA, disse que o governo está "extremamente satisfeito" com esse resultado, mas alguns funcionários norte-americanos temem que, se os cinco militantes forem julgados nas jurisdições onde foram indiciados - Nova York e Connecticut -, isso poderia desencadear debates com fundo político sobre ameaças à segurança pública e indulgência excessiva com militantes.

Ao tomar posse, em 2009, o governo Obama prometia desativar a prisão militar de Guantánamo, encravada em Cuba, e transferir os supostos militantes presos lá para a esfera da Justiça comum dos EUA. O plano acabou sendo cancelado devido à forte reação política, e o Congresso afinal aprovou uma lei proibindo que presos de Guantánamo sejam transferidos e julgados nos EUA.

A extradição dos suspeitos - incluindo um ex-porta-voz de Osama bin Laden e um clérigo radical - podem acontecer a qualquer momento, e fontes oficiais disseram que as autoridades na região de Nova York estão preparando planos para a segurança.

Ao desembarcarem nos EUA, os réus devem comparecer a um tribunal, mas o julgamento não deve começar tão logo. Uma fonte disse, sob anonimato, que o mais provável é um longo litígio prévio ao processo propriamente dito.

Antecipando-se a possíveis ataques políticos em ano eleitoral, o governo está defendendo ativamente as garantias oferecidas à Grã-Bretanha, e acrescentando que algumas delas foram dadas pelo antecessor de Obama, o republicano George W. Bush.

Os funcionários do governo alegam que, como não há acusação formal contra os cinco réus na Grã-Bretanha, eles acabariam sendo soltos.

Dois deles - Khaled al Fawwaz, ex-porta-voz de Bin Laden em Londres, e Adel Bary - são acusados de envolvimento no atentado de 1998 contra embaixadas dos EUA na África. Eles estão presos na Grã-Bretanha há mais de dez anos.

O egípcio Abu Hamza al Masri é suspeito de envolvimento em um sequestro ocorrido em 1998 no Iêmen, e de tentar montar campos de treinamento para militantes em 1999 no Oregon.

Abu Hamza ficou famoso também pelos inflamados sermões que fazia na Mesquita Finsbury Park, em Londres, e por usar um gancho no lugar de uma mão, perdida numa explosão.

Esses três réus serão processados em Nova York. Os outros dois, Babar Ahmad e Syed Ahsan, acusados de operarem sites da Internet que apoiavam a Al Qaeda e outros grupos islâmicos, serão julgados em Connecticut.

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