Famílias do 11/9 denunciam julgamentos em Guantánamo

Um grupo de 24 pessoas que perderam parentes nos atentados de 11 de setembro de 2001 divulgou nota na quarta-feira qualificando os julgamentos de crimes de guerra em Guantánamo como ilegítimos, vergonhosos e politicamente motivados. Foi uma resposta à apaixonada defesa desse sistema jurídico feita por outros parentes de vítimas do 11 de Setembro, levados nesta semana a Guantánamo pelo Pentágono para observar audiências de cinco presos acusados de tramar os ataques contra os EUA. "Esses processos foram politicamente motivados desde o princípio, destinados a garantir condenações rápidas à custa do devido processo e da transparência, e estão estruturados para impedir a revelação de interrogatórios abusivos e torturas adotados pelo governo dos EUA", disseram os 24 signatários da declaração distribuída pela União Americana das Liberdades Civis. "Nenhum conforto ou conclusão pode vir de comissões militares (nome técnico dos tribunais) que ignoram o estado de direito e mancham a reputação interna e externa (dos Estados Unidos) da América", disseram eles. "É hora de que nossa nação pare de trair nossos próprios valores e os valores de tantos que morreram no 11 de Setembro." É praticamente impossível que um só grupo fale em nome de todos os parentes das 2.973 pessoas mortas nos atentados aéreos de 2001. Parentes de cinco vítimas foram escolhidos pelo Pentágono para assistir às audiências de segunda-feira, em que o mentor assumido dos ataques, Khalid Sheikh Mohammed, e quatro outros réus confessaram crimes. Em entrevista coletiva após a audiência, os parentes escolhidos pelo governo estavam emotivos e foram unânimes em dizer que os tribunais de Guantánamo são justos e devem continuar. Eles afirmaram se orgulhar dos direitos que os réus têm, e notaram elogiosamente que os presos puderam fazer pausas para rezar e receberam um tratamento digno mesmo quando pareciam se gabar da sua culpa.

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