FBI cometeu excessos após o 11 de Setembro, diz relatório

Documento diz que ativistas de esquerda foram investigados por 'casos de terrorismo doméstico'

Efe

21 de setembro de 2010 | 01h40

WASHINGTON - O FBI (Polícia Federal americana) cometeu "excessos" ao considerar terroristas os grupos de ativistas de esquerda que investigou após os atentados de 11 de setembro de 2001, segundo relatório divulgado na segunda-feira, 20, pelo Departamento de Justiça dos EUA.

O relatório, requisitado pelo Congresso há quatro anos e assinado pelo Inspetor Geral de Justiça, Glenn Fine, critica o FBI por ter qualificado como "casos de terrorismo doméstico" as atividades de vários grupos entre 2001 e 2006, entre eles o Greenpeace e Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA).

De acordo com o relatório, o FBI não tinha provas suficientes para taxar as atividades como terroristas, e se baseava em "crimes potenciais", como invasão de domicílios e vandalismo, "que podiam ter sido qualificados de outra forma".

Além disso, o FBI "fez declarações falsas e enganosas ao Congresso dos Estados Unidos" sobre estas investigações, segundo o relatório, que orienta a realização de uma investigação interna e considerar se é necessário algum tipo de ação "administrativa ou de outro tipo".

O Departamento de Justiça ressalta, no entanto, que o FBI não foi responsável por espionagem baseada em motivos políticos e que os excessos foram cometidos em uma série de casos específicos, e não como um ataque à atividade habitual dos grupos.

No entanto, o documento de 209 páginas conclui que "em vários casos, a justificativa das investigações do FBI era frágil, e que em vários outros, havia pouca indicação de nenhum possível crime federal, e sim de crimes locais".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.