Fechamento de Guantánamo está 'emperrado', afirma Gates

Os esforços do governonorte-americano para desativar a prisão militar de Guantánamoestão em compasso de espera devido a problemas jurídicos epráticos, disse na terça-feira o secretário de Defesa dos EUA,Robert Gates. "A resposta brutalmente franca é que estamos emperrados eemperrados de várias formas", disse Gates em audiência noSenado, comentando seu desejo de acabar com a prisão, encravadaem Cuba, onde os EUA mantêm suspeitos de terrorismo. Entidades de direitos humanos e muitos governos, váriosdeles aliados de Washington, pedem que o governo Bush fecheesta prisão, alegando que ela viola o direito internacional. Muitos presos passaram anos detidos ali sem ao menosreceberem acusação formal. Desde que assumiu o cargo, em 2006,Gates designou subordinados para avaliarem como seria possívelfechar essa penitenciária. Um dos principais problemas, segundo o secretário, é quecerca de 70 presos podem ser devolvidos para seus países nateoria, mas não na prática. "Ou o governo deles não os aceita,ou estamos preocupados que algum governo os deixe à soltaquando os devolvermos", afirmou. A base naval de Guantánamo ainda abriga cerca de 270presos, e mais de 500 já foram liberados desde a inauguração daprisão, em janeiro de 2002, segundo os militares. O Pentágono diz que 36 ex-presos de Guantánamo "retornaramao terrorismo suposta ou confirmadamente". Gates citou um ex-preso kuweitiano que teria cometido umatentado suicida em Mosul (norte do Iraque) em abril. Os EUA tampouco encontraram uma solução para os presos quenão podem ser libertados por razões de segurança, mas que nãoserão indiciados pelos tribunais militares encarregados dejulgarem-nos, segundo Gates. "Temos dificuldades em descobrir o que fazer com essesirredutíveis 70, 80 ou seja lá que número for", disse ele àsubcomissão de defesa da Comissão de Orçamento do Senado. De acordo com o secretário, há uma relutância generalizadaem manter esses presos no território norte-americano.

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